Renúncia: Roriz fala em "orquestração" rumo ao socialismo

Brasília - O candidato do PSC ao governo do Distrito Federal, Joaquim Roriz, que renunciou nesta sexta-feira (24) à sua candidatura ao Palácio do Buriti, disse em entrevista coletiva que há uma perseguição política contra ele e que sua derrocada é resultado de uma "orquestração" para que o governo brasileiro caminhe para um regime socialista.

"Estou pagando muito caro por ter renunciado ao meu mandato. Vejo nessa decisão uma orquestração bem elaborada. Vejo essa orquestração como um alerta que estão se organizando para mudar o regime no Brasil, de democrático para o socialismo. Para mudar o regime tem de ter o grito. Aí estão participando Cuba, Bolívia, Venezuela e aí está o Brasil", afirmou o agora ex-candidato.

"Por que não preparam para fazer isso em São Paulo? Porque lá vai ganhar Alckmin. O segundo plano é Brasília. Estou servindo de resistência para isso, resistência democrática. Estou sendo instrumento de perseguição. Só me resta lutar até o fim porque nasci aqui, cresci aqui, vivi aqui", completou.

Roriz, que ao longo dessa campanha afirmava que sua candidatura era um "desígnio de Deus", fez um balanço de seus 50 anos de vida pública e relatou os apelos que fez à mulher, Weslian, para que aceitasse ser sua representante no pleito de outubro. Agora, disse que será "permanente e presente" sua presença na campanha da esposa. "Levarei minha palavra como vítima e levarei minha palavra com emoção. Não desprezo Brasília. Não preciso de dinheiro. Preciso de hora para comunicar a todos os eleitores da cidade que a Weslian é a minha candidata", disse.

"Até hoje não conheci o sabor da derrota, graças a Deus. Porém estava me ameaçando uma derrota. Busquei outra alternativa. Não estou lutando pelo poder. Fiz o maior sacrifício da minha vida, que foi convencer minha mulher, porque não só ela não queria como queria que eu não fosse mais político. Quantas noites passei em claro e sonhando com essa cidade. Fui honrado, perdi nos tribunais e houve um empate no STF, que é o guardião da nossa Constituição. Não vou ficar mais exposto", declarou Roriz em sua casa ao lado da mulher Weslian.

Ele relembrou a situação que motivou sua renúncia em 2007 ao cargo que tinha como senador, o chamado escândalo da bezerra de ouro. "Não sabia que estava sendo gravado e eu, como tenho hábito há muitos anos na área da pecuária, tenho vocação grande pelos animais. (...) Fiquei em uma situação de muito desconforto no Senado, um desconforto profundo. Só tinha vontade de ir embora. Será que eu dei prejuízo ao Erário público? Será que eu cometi coisa errada? A imprensa não foi justa comigo. Bateram até eu ficar envergonhado. Renunciei ao mandato. Renunciei por livre vontade pessoal. Ninguém me obrigou a fazer. Renunciei não só ao meu mandato, mas renunciei ao foro privilegiado", disse.

O Supremo Tribunal Federal destinou a quarta (22) e quinta-feiras (23) desta semana para julgar em Plenário recurso impetrado pela defesa de Joaquim Roriz, que teve o registro de sua candidatura barrado por ter renunciado ao mandato que tinha como senador em 2007 para se livrar de um processo de cassação. A abdicação de mandato para paralisar processos de quebra de decoro é uma das novas regras de inelegibilidade incluídas na Lei da Ficha Limpa. O STF, no entanto, não chegou a uma decisão definitiva sobre a validade da legislação já em 2010. Após mais de treze horas de julgamento nesta quinta, perfazendo um empate em cinco votos a cinco, os ministros optaram por não proclamar o veredicto final.