Coligação acusa governador da Paraíba de usar servidores em campanha

     JOÃO PESSOA - A Coligação Uma Nova Paraíba, que é encabeçada pelo candidato a governador, Ricardo Coutinho (PSB), acionou o Ministério Público Eleitoral para apurar suposto uso da máquina pública pelo candidato à reeleição, José Maranhão (PMDB). O peemedebista teria usado servidores públicos em horário de expediente como cabos eleitorais da campanha.

Os advogados da coligação pedem a cassação do registro da candidatura do peemedebista pela prática de conduta vedada a um administrador público e por abuso de poder político e apresentam como prova um vídeo.  As imagens, que foram ao ar durante programa eleitoral, mostram servidores sendo transferidos em um ônibus para o bairro do Castelo Branco, em João Pessoa, para fazer panfletagem em favor do candidato do PMDB. O fato foi registrado às 8h do dia 15 de setembro. Outro vídeo mostra que os servidores não estavam de férias, como foi informado pelo governo do Estado.

No vídeo, são identificados seis servidores: Ana Gouveia, diretora do Espaço Cultural; Marielza Rodrigues, gestora do Programa de Artesanato da Paraíba; Aureli Souza, agente administrativa da Secretaria de Turismo; e ainda Patrícia Leite, Túlio Miranda e Valéria Fernandes, todos agentes de programas governamentais da Secretaria de Turismo. 

O advogado Fábio Andrade explicou que, conforme a Lei das Eleições, em seu artigo 73, é proibido ao gestor "ceder servidor público ou usar os seus serviços em comitê de campanha de candidatos, partido ou coligação, durante o horário de expediente normal".  Para Ricardo Coutinho, práticas como essas são antigas e ultrapassadas. "Esses sãos os métodos que o governador utiliza para fazer campanha há pelo menos dez anos: usando a máquina pública. Os paraibanos merecem respeito e não podemos mais aceitar esse tipo de mecanismo", disse.

Já o governador, José Maranhão, negou que esteja utilizando a máquina estadual na campanha eleitoral como estão denunciando seus adversários políticos. Segundo o peemedebista, a atitude dos oposicionistas não passa de desespero com a finalidade de prejudicar sua campanha com denúncias sem fundamentos. "Isso aí é o fenômeno da transferência que os psiquiatras conhecem muito bem. É a capacidade que os doentes mentais têm para transferir aos outros aquilo que eles sentem no seu próprio espírito, na sua própria estrutura. Ora, nós fazemos um governo transparente. Eu entrei de licença exatamente para que não pairasse nenhuma dúvida sobre isso. Agora, eu acho que eles querem estabelecer aqui um patrulhamento nazista, que queira proibir os companheiros, que fora do horário de expediente, trabalhem pela sua campanha, que é um exercício da cidadania", afirmou o governador.

O procurador geral do Estado, Edísio Souto, disse que o governador tem consciência da força da legislação e a sua eficiência, pois assumiu o poder após a cassação do ex-governador, Cássio Cunha Lima (PSDB), por isso, tomou todas as providências para que a lei seja respeitada.  De acordo com ele, em época de eleição até "briga de vizinho vira fato político". Segundo o procurador, os servidores que aparecem no vídeo estão em período de férias e, além disso, o expediente no governo do Estado é das 12h às 18h.