SC: candidado "avulso" tenta inclusão no horário eleitoral

     FLORIANÓPOLIS - O candidato "avulso" do PPS ao Senado pelo estado de Santa Catarina, Wesley Collyer, está brigando na Justiça Eleitoral para tentar obter o direito de aparecer no horário eleitoral gratuito de rádio e televisão. Excluído da programação, o candidato vem usando apenas a internet para divulgar vídeos com propostas e discursos.



O professor Wesley se qualifica como o "candidato avulso". No jargão jurídico, o termo é denomidado "candidatura individual". Ele lançou seu nome pelo PPS, partido que integra a coligação formada por DEM, PSDB e PMDB, após aclamação em convenção partidária.


O Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina entendeu que o fato do PPS estar coligado com o democrata Raimundo Colombo na majoritária inviabilizaria seu registro. A questão está em fase de recursos no TSE e por enquanto, o nome do candidato aparece nas listagens do Tribunal Eleitoral catarinense.


Para o candidato, a sua exclusão ocorreu devido a uma manobra para garantir mais um minuto em televisão para Raimundo Colombo. "Fui escolhido em convenção, mas pediram que não apresentasse a documentação pois caso contrário eu iria tirar tempo da aliança no programa", diz. "Não sou de ir ao Supremo, mas vou lutar até onde puder por minha candidatura".


Ex-oficial da Marinha Mercante e ex-juiz federal do Trabalho, Wesley diz que a sua candidatura encontra respaldo legal, mesmo se o partido integrar a tríplice aliança. "Uma medida provisória de 2006 permite essa candidatura. O problema é que até então os tribunais não haviam se deparado com questão semelhante", disse. "Apoiamos o nome de Colombo para o governo do Estado, mas não os candidatos ao Senado da coligação".


Discursos e propostas pelo Youtube
Sem espaço em rádio e televisão, o candidato tem utilizado a internet como forma de tentar "compensar" o fato de não estar no horário eleitoral gratuito. Wesley tem veiculado vídeos no Youtube onde fala de suas propostas em pouco mais de um minuto, além de debatê-las diariamente com usuários do twitter. "Não é justo, não concordo com o que aconteceu. Mas iremos brigar pela inserção no horário", disse. "Se não conseguir, pretendo obter uma boa votação e voltar a ser candidato daqui a 4 anos".


Entre as ideias apresentadas pela internet, o candidato disse que pretende obrigar os senadores a trabalhar de segunda a sexta-feira e lançou na rede a idaia de criar uma agência anti-corrupção. "Mesmo que seja um disque corrupção, tal como o serviço de denúncias oferecido pela Polícia", afirma.


Além disso, o candidato participou de debates realizados em emissoras de rádio. Autor de livros sobre ética na política, se diz indignado com a representação partidária existente no Congresso. "Sou um cidadão que se cansou e resolveu ser candidato".