Depoimento de empresário envolvido com escândalo na Casa Cívil dura mais de seis horas

O depoimento do empresário Fábio Baracat à Polícia Federal durou mais de 6 horas nesta quinta-feira (23). Ele compareceu à superintendência do órgão, em Brasília, para prestar esclarecimentos sobre um suposto esquema de tráfico de influência na Casa Civil. Baracat deixou o local sem falar com a imprensa.

Em reportagem da revista Veja, Baracat falou como empresário da área de transportes e denunciou a suposta cobrança de uma "taxa de sucesso" pela empresa de consultoria de Israel Guerra, filho da ex-ministra da Casa Civil, Erenice Guerra.

Pela manhã, Baracat chegou à PF acompanhado do seu advogado, Douglas Silva Telles, que falou com os jornalistas. Segundo o advogado, a partir da divulgação do episódio, o que era comercial acabou ganhando contornos políticos. "Existe um desvirtuamento. A questão do Fábio era comercial, de aquisição de uma empresa, que acabou tomando um viés político muito forte. Uma questão comercial acabou se tornando um grande episódio político", disse o advogado.

Telles afirmou que o empresário atuou defendendo os interesses da Master Top Linhas Aéreas (MTA), e que a consultoria de Israel Guerra teria sido para renovação da licença para voar. Segundo o advogado, seu cliente tinha interesse na aquisição da MTA, negócio que não se concretizou.

Ainda segundo o advogado, o empresário conheceu a ex-ministra Erenice Guerra apenas "socialmente" e negou haver alguma indicação de Baracat de que a ex-ministra tinha conhecimento sobre os negócios do filho.

Mais depoimentos

O ex-diretor de operações dos Correios, coronel Eduardo Artur Rodrigues Silva, chegou à superintendência da PF por volta das 14 horas. Ele também será ouvido sobre as denúncias. Ele havia sido acusado de ligações com a MTA. No início desta semana, o coronel apresentou sua carta de demissão, na qual classificou as suspeitas de "absurdas".