Vídeo sobre suposta propina em Mato Grosso do Sul foi editado, diz deputado

O deputado Ary Rigo (PSDB), da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul, divulgou nesta quarta-feira uma nota de esclarecimento sobre o vídeo em que, segundo o Ministério Público, ele detalha um suposto esquema propina que envolveria o governador do Estado, André Puccinelli (PMDB), além de desembargadores do Tribunal de Justiça e membros do MP. Rigo alega que a gravação foi editada para "incriminar" a sua fala.

Nas imagens, que teriam sido registradas em julho, Rigo diz que R$ 2 milhões eram devolvidos, em dinheiro, ao "André", "900" mil aos desembargadores do Tribunal de Justiça, e "300" mil para o Ministério Público. O dinheiro, segundo a gravação, seria da Assembleia. Ele afirma ainda que iriam devolver agora R$ 6 milhões ao governo. O deputado afirma ainda que mudanças na legislação dificultaram a realização do esquema.

O autor da gravação, que seria o jornalista Eleandro Passaia, da prefeitura de Dourados, pergunta se a impossibilidade de dar dinheiro ao MP não complicaria a situação do prefeito de Dourados, Ari Valdecir Artuzi (sem partido), preso por envolvimento na "máfia do palito", que desviava recursos dos cofres públicos por meio de licitações superfaturadas e direcionadas. Ele e mais 59 pessoas foram denunciadas pelo caso, segundo investigações feitas pela Polícia Federal.

Segundo o deputado, Passaia, "uma pessoa de absoluta e irrestrita confiança" de Artuzi, estava preocupado com a situação do prefeito e pedia sua "colaboração para definir o futuro e os destinos da administração". "Confesso que busquei tranquilizar meu interlocutor de toda forma, procurando demonstrar-lhe força e poder para resolver problemas e que ajudaria o prefeito", disse Rigo, em nota.

Repasses

Sobre os repasses citados por ele no vídeo, o deputado afirmou que "são os valores aproximados que estes (MP e Poder Judiciário) obtiveram a mais por força da intervenção dos deputados, junto ao governador do Estado, para que este, dadas as necessidades do Estado, reduzisse o duodécimo em maior parte da Assembleia Legislativa e em menor do Judiciário e do Ministério Público".

"A redução do duodécimo do Legislativo foi da ordem de 21, 875%, enquanto que do Judiciário foi de apenas 7, 82736% e do Ministério Público, 5,48%. Como a maior redução foi da Assembleia, exatamente para beneficiar os demais, senti-me o grande articulador da ajuda, motivo pelo qual falei como se tivesse repassado algum valor", afirmou. "Evidente que quem repassa os valores do duodécimo aos poderes e órgãos é o Poder Executivo, e não a Assembleia. Esta não repassa valores para o Ministério Público ou para o Poder Judiciário. Jamais paguei qualquer valor a qualquer autoridade. Ocorre que, para mostrar força e impressionar o meu interlocutor, referi-me aos valores como se partissem da Assembleia".

Ainda segundo a nota, Rigo disse que, quando se referiu à devolução de dinheiro para o "André", quis dizer governo do Estado. Os valores, conforme ele, são referentes à redução do duodécimo em 21, 875%. "A cada mês, o Legislativo Estadual gasta menos e, com isso, possibilita a redução do duodécimo e a devolução de valores repassados pelo Estado e não utilizados, beneficiando os demais poderes e órgãos".

Valores a deputados

No vídeo, Rigo afirma ainda: "lá na Assembleia, nenhum deputado ganhava menos de R$ 120 mil. Agora, os deputados vão ter que se contentar com 42". Em nota, Rigo disse que se referiu ao "valor total do custo do gabinete de cada um, considerando os subsídios, as verbas de gabinete e indenizatória e a remuneração dos servidores diretamente relacionados a cada deputado". "Jamais cometi qualquer crime ou desviei qualquer centavo da Assembleia Legislativa, assim como repassei qualquer numerário de forma irregular para qualquer Poder, pessoa ou autoridade", afirmou.