Marina sobre denúncias: não se pode banalizar o dolo e o erro

Juliana Prado, Portal Terra

BELO HORIZONTE - A candidata do PV à Presidência da República, Marina Silva, cobrou a punição e investigação dos culpados no caso da violação de dados sigilosos de contribuintes da Receita Federal. Em campanha em Belo Horizonte, nesta quarta-feira (15), mesmo evitando polemizar sobre o escândalo envolvendo a violação de sigilo de tucanos, ela disse que "não se pode mais banalizar o dolo e o erro" e que é preciso criar um clima para que as instituições funcionem com transparência no país.

Marina Silva voltou a dizer que as denúncias são "muito graves", mas garantiu que não irá entrar em brigas "rasteiras" em função do momento eleitoral e da proximidade de 3 de outubro. Sobre a operação orquestrada pelo Planalto para blindar a presidenciável Dilma Rousseff (PT) no caso envolvendo a ministra Erenice Guerra, disse que acompanha como "cidadã que se preocupa com o bom funcionamento das instituições brasileiras".

A presidenciável, que participou de um encontro com empresários mineiros, afirmou que as medidas anunciadas pelo governo na terça-feira (14) para dificultar a acesso a dados sigilosos de contribuintes da Receita já deveriam ter sido tomadas "há muito tempo". Para a candidata verde, o anúncio das restrições não irá mascarar a investigação das denúncias de quebra de sigilo. "Essas medidas têm que continuar acontecendo para a punição dos culpados", defendeu.

Questionada sobre as declarações do ex-presidente Fernando Henrique (PSDB), de que o presidente Lula age como um "chefe de facção", a candidata foi reticente. Geralmente elogiosa a Lula, de quem foi aliada e correligionária por 30 anos, ela afirmou que "a função do agente público é melhorar a qualidade de vida das pessoas e garantir o funcionamento neutro das instituições e o combate à corrupção".

Sem entregar o jogo

Em terceiro lugar na corrida eleitoral, atrás de Dilma e José Serra (PSDB), e estagnada em cerca de 10% dos votos, Marina Silva descartou que vá "jogar a toalha". "Eu acho que quem define a situação é o eleitor. Não é possível dizer que ganhou antes do tempo e nem jogar a toalha antes do tempo".

Sobre a possibilidade de vir a assumir um mandato num eventual governo Serra ou Dilma, a ex-ministra garantiu que, para contribuir com o meio ambiente ¿ pasta que comandou no governo Lula ¿ não precisa estar participando de algum governo.

Acompanhada de aliados e do candidato ao governo de Minas, José Fernando (PV), Marina ainda cumpre agenda de campanha nesta tarde na cidade histórica de Ouro Preto. À noite, se encontra com lideranças do PV mineiro na capital do Estado.