Ficha-suja, Roriz quer mudar gabarito dos prédios de Brasília

Portal Terra

BRASÍLIA - Barrado por estar incluído nas regras de inelegibilidade previstas na Lei da Ficha Limpa, o candidato do PSC ao governo do Distrito Federal, Joaquim Roriz, defendeu nesta quarta-feira uma eventual mudança nos gabaritos da cidade - tombada como patrimônio cultural da humanidade - como forma de ampliar a oferta de moradia para as pessoas.

"Como eu posso fazer isso (desestimular a migração) se o brasileiro, se o ser humano tem direito de buscar condição de melhorar? No lugar onde eles estão tem emprego? O brasileiro tem o direito de ir e vir e buscar qualidade de vida. Brasília é o 'Eldorado' (cidade perdida, conhecida como a cidade ouro) na visão de brasileiros", disse o candidato ao participar de sabatina na TV Globo.

Roriz, que voltou a afirmar que sua candidatura cumpre um "desígnio de Deus", disse confiar na Justiça para reverter a inelegibilidade decretada pelo Poder Judiciário. "Essa questão de condenação no STF eu nem gosto de falar. A Constituição é clara quando diz que não se pode retroagir para prejudicar. Por que sou criminoso e sou inelegível? Por que renunciei ao mandato?", declarou ele, que, apesar de já ter recebido decisão desfavorável do ministro Carlos Ayres Britto, do STF, ainda recorre ao Supremo.

Pela legislação da Ficha Limpa, entre outros pontos é inelegível o político que renunciar a seu mandato para escapar de um processo de cassação. No caso de Roriz, ele abdicou de sua cadeira como senador em 2007 após ter tido aberto contra si processo por quebra de decoro parlamentar. Na época, teve seu nome vinculado a uma transação de R$ 2,2 milhões que ele atribuiu à compra e venda de uma bezerra.

À TV Globo, o candidato comentou a "sobrecarga" no setor de saúde, que atende não só a população de Brasília, mas também das cidades vizinhas, e disse que os hospitais públicos serão referência em seu eventual governo. "Não entendo nada de saúde, mas fui buscar alguém que entenda. Posso garantir que estou buscando pessoas que entendem de saúde. Não tenho condições de dizer que 'eu vou resolver', (mas digo) nós vamos resolver".

O candidato do PSC admitiu ainda um revés nas pesquisas de intenção de votos na esteira das seguidas derrotas judiciais contra a inelegibilidade decretada pela Lei da Ficha Limpa. "As pesquisas são o retrato do momento. Na medida em que houve a impugnação, o eleitor ficou indeciso, mas hoje tenho dito e afirmado que sou candidato e já mudou o quadro", comentou. De acordo com o Ibope, Roriz, que foi por boa parte da campanha líder na corrida ao Palácio do Buriti, está 13 pontos percentuais atrás do petista Agnelo Queiroz, que lidera com 43% da preferência do eleitorado.