Para Serra, Casa Civil virou um "foco de escândalos"

Laryssa Borges, Portal Terra

BRASÍLIA - O candidato do PSDB à presidência da República, José Serra, voltou a atacar, nesta segunda-feira (13), a Casa Civil, instituição atualmente comandada por Erenice Guerra, e disse que o ministério, considerado o mais importante da administração pública federal, se transformou em um "foco de escândalos".

O tucano, que foi informado da demissão do assessor Vinícius Castro, citado em reportagem da revista Veja como participante de um suposto esquema para beneficiar empresas com contratos no governo, evitou afirmar se a demissão seria a saída que deveria ser adotada também no caso de Erenice Guerra.

"Não vou dizer sobre o que eles têm de fazer em matéria de se demitir ou não demitir. O que eles têm de fazer efetivamente é abrir, é dar transparência, dar caminho para uma investigação séria, não de fachada", disse o presidenciável, que participou de sabatina na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), em Brasília.

"(Dilma Rousseff) Não colocou a mão no fogo (por Erenice Guerra) e desqualificou tudo, dizendo que (a acusação envolvendo a Casa Civil) era um jogo eleitoral. Ela disse 'x' e '-1/x' na mesma fala. Ela não botou a mão no fogo por um lado e por outro disse que era uma jogada eleitoral, ou seja, atacou aqueles que denunciaram. Quem denunciou passa a ser culpado. Acho que o que aconteceu é gravíssimo e tem que ser muito bem investigado", completou.

O candidato relembrou ainda as suspeitas de uso eleitoral das quebras de sigilo fiscal de pessoas ligadas ao PSDB e disse que foi acusado de caluniador "a partir de uma coisa óbvia de que o interesse da quebra de sigilo foi eleitoral".

"Está ligado a uma questão político-eleitoral. A ideia de que ela não era candidata é hilariante. A Dilma desde meados de 2008 começou a campanha ao lado do presidente da República e inclusive quem tocava a Casa Civil na prática era precisamente a atual ministra da Casa Civil. Isso até as paredes, o gramado da Esplanada (dos Ministérios), as lâmpadas aqui da OAB, todo mundo sabe disso", afirmou.

Se eleito no pleito de outubro, José Serra disse que irá instalar um "governo transparente, que defenda a democracia, os direitos dos cidadãos, os direitos humanos e um governo que não admita a impunidade, que não permita que se instalem lobbies nos diferentes ministérios para arrecadar dinheiro, dinheiro de corrupção, começando pela Casa Civil, que é o ministério mais importante e que deve ser exemplo para os outros (...). No entanto nos últimos anos a Casa Civil virou foco de escândalos. Este atual é o terceiro. Lembra o do Waldomiro (Diniz), depois o do Zé Dirceu e agora este que está aí sendo conhecido", observou.