Ministro do STF nega liberdade a ex-governador do AP e mulher

O ministro Joaquim Barbosa, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou nesta terça-feira o pedido de habeas-corpus para liberar o ex-governador do Amapá Waldez Góes (PDT) e sua mulher, Marília Góes. Eles foram presos, com mais 16 pessoas, na Operação Mãos Limpas, realizada pela Polícia Federal na última sexta-feira. O grupo é suspeito de integrar uma organização criminosa que desviava recursos públicos do Estado do Amapá e da União.

Na ação da PF, também foram presos o atual governador, Pedro Paulo Dias (PP), o presidente do Tribunal de Contas, José Julio Miranda, o prefeito de Macapá, Roberto Góes - que pagou fiança e foi liberado -, e o delegado Aldo Ferreira, que ocupava o cargo de secretário de Segurança. As prisões foram determinadas pelo ministro Fernando Noronha, do Superior Tribunal de Justiça (STJ).

O presidente do Tribunal de Justiça do Amapá, desembargador Dôglas Evangelista Ramos, assumiu o governo do Estado, após a prisão do governador. Pedro Paulo estava no cargo desde que Góes saiu do governo para concorrer a uma vaga no Senado. Ele é candidato à reeleição.

O caso
A polícia constatou que a maioria dos contratos administrativos firmados pela Secretaria de Educação beneficiavam empresas selecionadas. Apenas uma empresa de segurança e vigilância privada manteve contrato emergencial por três anos com a Secretaria de Educação, com fatura mensal superior a R$ 2,5 milhões e com evidências de que parte do valor retornava, sob forma de propina, aos envolvidos.

Foram identificados também desvios de recursos no Tribunal de Contas do Estado do Amapá, na Assembleia Legislativa, na Prefeitura de Macapá, nas Secretarias de Estado de Justiça e Segurança Pública, de Saúde, de Inclusão e Mobilização Social, de Desporto e Lazer e no Instituto de Administração Penitenciária.

Os envolvidos são investigados pelas práticas de crimes de corrupção ativa e passiva, peculato, advocacia administrativa, ocultação de bens e valores, lavagem de dinheiro, fraude em licitações, tráfico de influência, formação de quadrilha, entre outros crimes conexos.