Ex-diretor do Senado acusado de "atos secretos" pede votos

Laryssa Borges, Portal Terra

BRASÍLIA - Candidato a deputado distrital, o ex-diretor do Senado, Agaciel Maia, tem adotado como base de eleitores os servidores do Congresso e enviado cartas aos funcionários e ex-funcionários da Casa pedindo votos e rebatendo a série de denúncias que se abateu sobre ele e o presidente do Congresso, José Sarney (PMDB-AP), envolvendo os chamados "atos secretos".

A crise pela qual passou o Senado começou em março de 2009 com a denúncia de que Maia ocultava de sua declaração de bens uma mansão adquirida por ele em 1996, avaliada em aproximadamente R$ 5 milhões. Ele negou as acusações. Em seguida, em junho, técnicos do Senado encontraram pelo menos 300 medidas administrativas que não receberam a devida publicação.

Os atos secretos, atribuídos após investigação a Maia, foram usados, por exemplo, para nomear pessoas para cargos e aumentar salários. Entre as medidas administrativas sem publicação oficial, a nomeação de uma sobrinha de Sarney para o gabinete do senador Delcídio Amaral (PT-MS) e uma decisão que concedia plano de saúde vitalício aos diretores-gerais e secretários-gerais que ocuparam o cargo por dois anos.

"Ao fim de torturantes meses de ataques na imprensa, fui acusado de prática de irregularidades que foram, todas elas, absolutamente desmentidas", diz o candidato na carta em que pede votos, embora as investigações acabaram por responsabilizá-lo pelos atos secretos.

Afirmando gozar de "longa experiência na administração pública", Maia rebate ainda as acusações de ter chantageado senadores e disse ter sido alvo de "denúncias infundadas".

Declaração de bens

Na declaração de bens disponibilizada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o candidato Agaciel Maia registra que a mansão onde mora no bairro nobre do Lago Sul, em Brasília, é um "terreno" no valor de R$ 180 mil.

Outros detalhes como "construção de banheiros", "paisagismo" e "spa para hidromassagem" também foram declarados no valor de R$ 732,4 mil para "completar" o valor do imóvel.

No rol de bens do ex-diretor-geral do Senado constam ainda uma casa em Natal (RN) no valor de R$ 95,1 mil, a reforma desta casa (R$ 65,9 mil), uma propriedade rural no município de Brejo da Cruz (PB), sua terra natal, no valor de R$ 50 mil, uma fração de sítio também na cidade paraibana (R$ 50 mil) e uma casa em Piranhas (RN) de R$ 30 mil. Em contas bancárias no Banco do Brasil e na Caixa, Agaciel disse ser detentor de R$ 2,65 milhões.