Beto Richa e Osmar Dias trocam acusações em debate no Paraná

Roger Pereira, Portal Terra

CURITIBA - Não faltaram ataques entre os dois principais candidatos ao governo Paraná no debate promovido pela Rede Massa, do SBT, na noite desta sexta-feira. O encontro foi marcado pela troca de acusações entre Beto Richa (PSDB) e Osmar Dias (PDT). Não faltaram farpas, acusações, pegadinhas e ameaças entre os dois candidatos que lideram as pesquisas de intenção de votos, fosse nas perguntas diretas de um para outro, fosse nas resposta que deram aos candidatos Paulo Salamuni (PV) e Luiz Felipe Bergman (Psol).

Questões como as privatizações, as promessas de aliança supostamente feitas e não cumpridas por um ou outro candidatos em momentos diferentes da pré-campanha, a dita incoerência nas coligações, o conhecimento dos candidatos sobre o Estado, temas comum desta campanha foram novamente explorados pelos dois candidatos, que, muitas vezes fizeram acusações diretas ao adversário.

Beto Richa explorou o documento que o PDT teria enviado ao PSDB antes das convenções com uma proposta de aliança entre PDT e PSDB. Osmar voltou a respondeu que era apenas uma consulta ao diretório nacional do partido, que segundo ele respondeu que só aceitava a coligação com o PSDB se o PDT fosse cabeça de chapa, "ou seja, se meu adversário cumprisse a promessa que fez aos curitibanos de cumprir seu mandato como prefeito da capital".

Beto, então retrucou: "não negue, você me chamou dois dias antes e disse 'não serei candidato em hipótese alguma', não estou te enganando". Osmar treplicou: "meu Deus, como você mudou. A carta quem fez foi o PSDB é de maio, a que eu fiz era uma consulta ao diretório nacional se poderia fazer a coligação".

Os candidatos também exploraram deslizes dos adversários durante a campanha. Osmar perguntou se Beto conhecia as estradas federalizadas do Paraná, para lembrar que o tucano prometeu duplicar uma rodovia já federalizada. Beto classificou a pergunta como uma "pegadinha" e disse que Osmar prometeu asfaltar uma estrada que foi pavimentada em 1979. Osmar também citou que Beto diz que não precisa entender de agricultura para governar o Paraná porque terá bons assessores para isso. "Então, como seus assessores não estão aqui, não vou te perguntar sobre agricultura", provocou.

Beto por sua vez, ao responder sobre a privatização do Banestado, lembrou que Osmar era do PSDB, da base do governo Fernando Henrique e que também já votou por privatizações, como a do gás e das comunicações. O candidato do Psol, Luiz Felipe Bergman, protagonizou os momentos mais engraçados e, também os mais constrangedores do debate. Dizendo que os dois principais candidatos são iguais. Bergman disse que Beto tem histórico de falhas administrativas e fantasmas na Assembleia, sugeriu para Osmar "passe o endereço da escolinha onde aprendeu a falar companheiro para Sarney e Collor, os novos aliados do PT" e, nas considerações finais, repetiu que ambos representam o mesmo grupo político e que fizeram um teatro para tentar convencer que são adversários, chamando os dois candidatos de "tio cowboy e sobrinho playboy".

Salamuni também criticou as posições parecidas dos dois candidatos e as promessas exageradas de ambos, que classificou de "propostas spielberganas, que só funcionam para as câmeras" e voltou a apresentar documento pedindo o afastamento da mesa diretora da Assembleia Legislativa.