PF avisa governo paulista que vai convocar Verônica Serra para depor

Marcela Rocha, Portal Terra

S O PAULO - Segundo o PSDB, a Polícia Federal avisou a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo que estava tentando chamar Verônica Serra, filha do presidenciável tucano José Serra, e seu marido, Alexandre Bourgeois, para depor sobre a quebra de sigilo de seus dados fiscais. O partido alega que nem Verônica nem seu marido foram notificados diretamente pela PF até a manhâ desta quarta-feira (8).

A Secretaria de Segurança confirmou que o secretário, Antonio Ferreira Pinto, foi procurado pelo superintendente da PF, Leandro Daiello Coimbra, de forma informal, em uma consulta telefônica. Coimbra comentou que tinha necessidade de ouvir Verônica e Alexandre. Segundo a assessoria da secretaria, este é um canal normal entre autoridades. O secretario não levou a informação adiante porque não teria legitimidade para interceder.

Segundo a PF, o contato feito com o secretário teve o intuito de evitar constrangimento à filha de Serra. A polícia alega que tentou convidá-la a depor, por ela ser parte afetada no caso. Como não surtiu efeito, resolveu intimá-la. Essa intimação ainda não foi entregue, pois, segundo a PF, Verônica está no Exterior.

Entenda o caso

O caso veio à tona por meio de uma reportagem do jornal O Estado de S. Paulo, publicada na noite de terça-feira (31), apontando que documentos da investigação da Corregedoria da Receita Federal revelaram o acesso aos dados fiscais da empresária Verônica Serra, filha do presidenciável do PSDB José Serra. O acesso teria sido feito pela funcionária Lúcia de Fátima Gonçalves Milan, que trabalha na agência da Receita, em Santo André (SP), no dia 30 de setembro de 2009.

Na procuração citada pelo órgão consta a assinatura que seria da filha do candidato tucano feita no dia 29 de setembro de 2009. O portador Antonio Carlos Atella Ferreira teria, segundo a documentação em poder da Receita, reconhecido firma no dia 30 de setembro, no mesmo dia em que retirou as cópias no órgão. Para a Receita , no entanto, a apresentação da procuração descaracteriza a quebra de sigilo.

Nesta quarta-feira (1), o 16º Tabelião de Notas de São Paulo afirmou que "o reconhecimento de firma é falso" na procuração supostamente assinada pela filha do candidato José Serra. Verônica também negou que tenha assinado tal documento.

A Receita Federal voltou atrás e reconheceu, com base nas informações do 16º Tabelião de Notas de São Paulo, que a assinatura era falsa. Instaurou inquérito para apurar os responsáveis. A Polícia Federal ouviu o contador Antonio Carlos Atella, que foi filiado ao PT, segundo o jornal O Estado de São Paulo, responsável por encaminhar o pedido de quebra de sigilo. Atella negou responsabilidade na falsificação da assinatura e apontou Ademir Estevam Cabral, um contador filiado ao PV, como o autor da encomenda.

Além de Verônica Serra, tiveram o sigilo fiscal quebrado os tucanos Eduardo Jorge, vice-presidente do PSDB, Luiz Carlos Mendonça de Barros, Ricardo Sérgio e Gregório Preciado, pela Delegacia da Receita do município de Mauá (SP). Eduardo Jorge ainda teve o sigilo fiscal violado pela Receita, na cidade de Formiga (MG). O funcionário Gilberto Souza Amarante, também filiado ao PT, de acordo com o jornal O Estado de São Paulo, é apontado como autor do crime.