MG: "a pedidos", Lula e Dilma pregam voto em Hélio Costa

Juliana Prado, Portal Terra

BELO HORIZONTE - Convocados pelo candidato a vice-governador Patrus Ananias (PT), a participarem mais diretamente da campanha dele e de Hélio Costa (PMDB) para o governo de Minas Gerais, o presidente Lula e sua candidatura Dilma Rousseff (PT) cumpriram a tarefa à risca. Em comício na noite de quarta-feira (8), em Betim, na Grande Belo Horizonte, os dois petistas fizeram questão de deixar claro que Costa é o candidato do Planalto no Estado.

No comício, realizado em uma cidade de reduto tradicionalmente petista, Lula carregou nas tintas ao falar principalmente de Patrus, que foi ministro do Desenvolvimento Social em seu governo. "A história vai mostrar o serviço que o Patrus prestou ao meu governo", afirmou, em alusão ao comando que o petista teve sobre o programa Bolsa Família.

Ele ainda pediu aos presentes que se "revezem" em frente à TV no horário eleitoral "assistindo um dia a Dilma e outro dia ao Hélio Costa". Ao contrário da sua última passagem por Minas, em 10 de agosto, quando pouco citou o nome do peemedebista, Lula fez elogios ao também ex-ministro das Comunicações de seu governo.

Primeiro a falar, o candidato a vice-presidente na chapa de Dilma, Michel Temer (PMDB) saiu em defesa veemente do concorrente do seu partido. Em breve discurso, destacou a atuação de Patrus na área social e de Costa como titular da pasta das Comunicações.

Dilma também seguiu a cartilha que rezava que aquele deveria ser um comício para dar uma guinada na já fragilizada campanha de Hélio Costa. "Minas tem que entrar na trilha da mudança. Hélio Costa é a pessoa mais capaz para governar o Estado", destacou.

Para que não restassem dúvidas de seu "engajamento" na reta final da acirrada disputa em terras mineiras, Lula pousou para a foto no último momento do comício. Numa espécie de missão cumprida, segurou Dilma e Hélio Costa pelas mãos e pediu aos presentes que prestassem atenção nos dois candidatos ao seu lado.

Nada de dossiê

Apesar da onda de denúncias de que petistas comandaram a quebra de sigilo de pessoas ligadas ao presidenciável tucano José Serra, Lula passou ao largo do tema. O mesmo fez Dilma, preferindo atacar a oposição sem lembrar das últimas acusações do seu adversário tucano sobre a montagem de dossiês.

As muitas farpas de Lula foram mais caseiras e direcionadas a "eles", palavra repetida várias vezes. Por eles, entendam-se os tucanos e opositores em geral. Tudo sem passar por temas espinhosos.

O ex-governador de Minas Aécio Neves, intocável até então, foi alvo de críticas veladas de Lula. Irritado, mas sem citar o bem avaliado tucano mineiro, o presidente afirmou que o governo de Minas não aplicou 12% na Saúde, como pretendia a emenda 29.

A única vez em que citou Aécio foi para dizer que chegou a pedir a todos os governadores, inclusive o mineiro, para que convencessem os senadores de seu Estado a aprovar a CPMF para a saúde, proposta que acabou sendo recusada.

E, em um resto de munição para "eles", os tucanos, questionou os presentes: "quem investiu mais em Minas, o governo federal ou eles aqui? Quantas escolas técnicas eles fizeram? Quanto dinheiro eles gastaram com os pobres neste Estado?"

Coube a Hélio Costa levantar a sua própria bandeira ao ponto mais alto e ser taxativo na crítica à gestão tucana em Minas Gerais. "O governo de Minas tem que estar afinado com o federal. Muitos programas do governo federal o governo de Minas não executou (nos últimos 8 anos)".