Sindicato dos professores do Rio Grande do Sul exclui Yeda de debate

Flavia Bemfica, Portal Terra

PORTO ALEGRE - Em um auditório com banners de protesto e frases fortes contra a gestão da governadora Yeda Crusius (PSDB), candidata à reeleição, seis dos nove candidatos ao governo no Rio Grande do Sul debateram por mais de duas horas nesta sexta-feira (27), em um evento promovido pelo Centro dos Professores do Estado do RS ¿ Sindicato dos Trabalhadores em Educação (Cpers/Sindicato) no Centro de Eventos do Hotel Plaza São Rafael, em Porto Alegre. Participaram Tarso Genro (PT), José Fogaça (PMDB), Pedro Ruas (PSol), Aroldo Medina (PRP), Julio Flores (PSTU) e Montserrat Martins (PV).

A direção do Cpers, que tem enfrentamentos constantes com o atual governo estadual, e dentro do movimento sindical é classificada como forte adversária da governadora, decidiu não convidar Yeda (terceira colocada nas pesquisas de intenções de votos) para o debate. Yeda, cuja assessoria de campanha já havia divulgado uma nota de repúdio a decisão dos sindicalistas, ficou de fora, mas usou, pela manhã, o Twitter para criticar o sindicato. "Oposição radical intransigente de não diálogo do Cpers com o veto a minha presença em seus debates mostra que a direção do Cpers é partidária. Onde está a democracia que dizem defender?", postou ela.

O debate também foi marcado pelas críticas a governadora, principalmente de candidatos de partidos que aparecem com 1% ou menos nas pesquisas, que aproveitaram a oportunidade dos temas propostos. Dividido em seis blocos, o debate foi formatado de modo que, após uma apresentação (no primeiro bloco), cada um dos candidatos se manifestasse sobre determinado assunto. Os temas eram: valorização salarial/piso; carreira/formação continuada/meritrocacia; concurso público/contratos de emergência/municipalização; liberação de dirigentes sindicais e gestão da escola pública.

Ao final, os candidatos presentes receberam uma carta-compromisso da direção do Cpers, na qual o destaque é a manutenção do plano de carreira para professores e funcionários. Durante suas manifestações, todos se comprometeram a pagar o piso nacional aos professores da rede estadual. Yeda está entre os governadores que questionaram judicialmente o piso.

Outro motivo de enfrentamento entre as categorias representadas pelo sindicato e o governo Yeda, a proposta do Executivo que trata da meritocracia, respondeu pelo "ponto alto" das divergências entre alguns dos candidatos. Quando falou, Genro atacou com força a implantação da meritocracia entre os servidores do magistério e disse que havia diferença entre meritocracia e avaliação de mérito com metas estabelecidas pelo Estado.

Ruas, que falou na sequência, chamou a atenção da plateia, dizendo que meritocracia e avaliação de mérito são "exatamente a mesma coisa" e que a questão não é semântica e sim "política e ideológica". Completou afirmando que a candidata do PT à presidência da República, Dilma Rousseff, defende o "Estado meritocrático". Genro usou parte do bloco seguinte para responder e reafirmar que meritocracia e mérito são coisas diferentes, utilizando como exemplo a questão da qualificação de docentes.