Serra delega ataques contra quebra de sigilo fiscal ao PSDB

Marcela Rocha, Portal Terra

S O PAULO - Questionado por jornalistas sobre a descoberta da segunda quebra de sigilo de sua filha Verônica, feita na sede da Receita Federal, em Mauá, no Grande ABC paulista, o candidato José Serra preferiu delegar ao seu partido, o PSDB, as críticas ao ocorrido.

"Tenho falado todos os dias, há uma semana, o presidente do partido, Sérgio Guerra, vai continuar tratando disso e a gente volta numa outra hora nesse tema que, com toda certeza, é muito importante. Trata-se de crime contra a Constituição e de utilização do governo para fins de natureza político-partidária e eleitoral", disse Serra, durante visita a Expo Cristã nesta terça-feira (7), em São Paulo.

Os tucanos comemoram um resultado positivo nas últimas pesquisas qualitativas feitas pelo partido em Minas Gerais e no Rio de Janeiro. Acreditam que Serra mostrará sinais de recuperação já na próximo levantamento Datafolha a ser divulgado no próximo sábado.

Os estrategistas de campanha de Serra avaliam que a campanha não pode ficar monotemática, ou seja, centrada apenas na quebra do sigilo da filha dele. Segundo tucanos, essa questão deve ser tratada como um problema generalizado da gestão Lula, e não como um caso isolado. O presidenciável tucano tem ligado o episódio recente a outros escândalos que marcaram a gestão petista para embasar sua crítica ao aparelhamento do Estado com fins politico-partidários.

Isto não significa, segundo tucanos, que o candidato não aborde mais o assunto, mas apenas quando for necessário e de forma a relacionar o tema à desmoralização sistemática das instituições sob o comando do PT.

No programa de televisão desta terça-feira, a campanha Serra não fez, como vinha fazendo, críticas duras aos casos de quebra de sigilo. Manteve, no entanto, os ataques à Dilma. O PSDB foi aos cenários usados pela petista em sua propaganda e mostrou os mesmos locais em situações na verdade contrárias às apresentadas pela candidata de Lula.

Carta de Guerra

O presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra, distribuiu uma nota oficial na noite da última segunda-feira (6) em que relaciona a violação de sigilo de Verônica Serra e outros integrantes do partido com o caso do caseiro Francenildo Costa, com a produção de dossiês contra a ex-primeira dama Ruth Cardoso e ao caso dos "aloprados", que também teria como alvo o candidato tucano José Serra.

Ainda segundo a nota assinada por Guerra, as novas acusações apontam para "a existência de um esquema de vazamento e manipulação de dados sigilosos", que envolveria, segundo o presidente tucano, a agência da Receita de Mauá, na região do ABC de São Paulo.