Sérgio Cabral admite que Rocinha não tem paz

João Pequeno, Portal Terra

RIO DE JANEIRO - Dois dias após o tiroteio que levou pânico a São Conrado, na Zona Sul carioca, e deixou uma pessoa morta - traficante, segundo a polícia -, o governador do Rio de Janeiro e candidato à reeleição, Sérgio Cabral (PMDB) admitiu que não há paz na Rocinha, durante entrevista na noite desta segunda-feira (23) ao RJ TV, da rede Globo. A favela, maior da América Latina, foi de onde saiu um grupo de traficantes que trocou tiros com policiais militares e fizeram hóspedes de hotel como reféns na manhã do último sábado (21).

"A vitória só será consagrada quando nós tivermos paz na Rocinha, paz no Vidigal, paz no Complexo do Alemão, paz no Complexo de Maguinhos, paz no Complexo da Maré", admitiu Cabral, referindo-se a favelas onde não há UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora) - um de seus trunfos eleitorais, por ter conseguido desmontar o domínio de quadrilhas de traficantes ou de milícias clandestinas em alguns locais, como Dona Marta, em Botafogo (Zona Sul) e Batan, em Realengo (Zona Oeste).

As favelas com maior poder de traficantes, como as citadas, mais a Mangueira e o Jacarezinho (Zona Norte) continuam sob domínio de criminosos. Segundo a polícia, o traficante Antonio Francisco Bonfim, o Nem, chefe do tráfico na Rocinha, estava no grupo que confrontou a polícia e fez reféns no sábado, em São Conrado.

Cabral reafirmou a promessa de levar as UPPs a todo o Estado em um segundo mandato e citou quedas em índices de criminalidade. "Os índices criminais hoje no Estado são os menores dos últimos 20 anos (...) quando assumimos, em 2006, só havia quatro milicianos presos; hoje há mais de mil (...) em Campo Grande, na Zona Oeste, onde nós entramos no coração (da milícia), a queda de homicídios foi de 50 (...) quando nós entramos no Batam, e desmantelamos a milícia definitivamente, o índice é zero", ressaltou.

Promessa de pacificação não foi cumprida

A Rocinha também deveria passar por um processo de pacificação antes de receber as obras incluídas sob a sigla PAC, em parceria dos governos Estadual e Federal. A promessa, que não foi cumprida, também valia para o Complexo do Alemão. Ela foi feita em 2007, pelo secretário de Segurança do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame, e pelo então secretário nacional de Segurança Pública, Antonio Carlos Biscaia.