Sargento que espionava políticos gaúchos deve depor nesta quarta-feira

Flavia Bemfica, Portal Terra

PORTO ALEGRE - O advogado Adriano dos Santos Pereira, representante do sargento da Brigada Militar do Rio Grande do Sul que espionava políticos, seus familiares, autoridades, servidores e até jornalistas, informou, na tarde desta terça-feira, que o depoimento de seu cliente ao Ministério Público está marcado para esta quarta-feira (8). Ele disse ainda que a senha utilizada pelo sargento César Rodrigues de Carvalho para acessar os dados sigilosos via sistema Consultas Integradas, da Secretaria de Segurança Pública (SSP), era "compartilhada". E assinalou que Carvalho respondia sempre ao coronel Frederico Bretschneider Filho. "O coronel Frederico era o chefe dele lá dentro. Ele fazia as coisas a pedido do coronel Frederico e trabalhava na Inteligência. Essa coisa de militar é muito séria".

Antes de ser preso, no dia 3 de setembro, Carvalho estava lotado na Casa Militar do Palácio Piratini (sede do governo gaúcho). O chefe da Casa Militar é o tenente-coronel Marco Antônio Oliveira Quevedo. Já o tenente-coronel da reserva Frederico Bretschneider Filho, que pediu exoneração na tarde da segunda-feira (6), estava na reserva desde 2008, quando passou a atuar como coordenador da assessoria da governadora Yeda Crusius (PSDB). Em entrevista à Rádio Gaúcha na manhã desta terça Bretscneider negou seu provável envolvimento. "A tempo e hora vai se mostrar que não era eu quem dava ordem para ele fazer isso".

Segundo as informações do Ministério Público da cidade de Canoas, além de Carvalho outras quatro pessoas - dois militares e dois civis ligados ao governo do Estado - são investigadas por participação no esquema de espionagem, feito através de acessos (com senha) ao sistema Consultas Integradas, da Secretaria de Segurança Pública (SSP). À Rádio Guaíba, o promotor de Justiça Criminal do MP em Canoas, Amilcar Macedo, informou que uma delas foi investigada pelas operações Rodin (deflagrada em 2008 pela Polícia Federal para apurar a fraude milionária no Detran gaúcho) e Solidária (também da PF, para apurar fraudes em licitações na região Metropolitana de Porto Alegre). A partir das declarações do promotor, passaram a ser feitas especulações pela imprensa e pelo rádio a respeito de Walna Meneses, assessora direta da governadora, que esteve envolvida naqueles dois casos.

Na tarde desta terça-feira o advogado Norberto Flach, que defende Walna na ação de improbidade relacionada ao caso Detran e no inquérito policial que tramita na PF como parte da Solidária, disse não ter qualquer conhecimento sobre uma provável ligação da assessora ao caso. "Se de fato existisse algo sério e a Walna estivesse preocupada, já teria me procurado e isso não aconteceu. Aliás, há tempos não temos contato", resumiu Flach.

Na lista de nomes espionados divulgada pelo MP estão a própria governadora, o candidato do PT ao governo do Estado, Tarso Genro, o senador Sérgio Zambiasi (PTB), os deputados estaduais Stela Farias (PT) e Luis Augusto Lara (PTB), e o ex-chefe da Casa Civil no governo de Olívio Dutra (PT) e que hoje atua na coordenação da campanha de Genro, Flávio Koutzii. O sargento também acessou dados do diretório estadual do PT e de familiares (inclusive crianças) de deputados. A deputada Stela presidiu no ano passado a CPI da Corrupção na Assembleia Legislativa, que investigou denúncias de irregularidades no governo. O deputado Lara preside o PTB gaúcho e durante meses tentou viabilizar sua candidatura ao governo nas eleições de 2010.