Para Marina, "eleição está nos doze minutos do primeiro tempo"

Roger Pereira, Portal Terra

CURITIBA - A candidata do PV à presidência da república, Marina Silva, disse, nesta quinta-feira (26), em Curitiba, que a queda de José Serra (PSDB) nas pesquisas de intenção de voto derruba a tese de comparação entre as administrações de PT e PSDB e abre mais espaço para sua candidatura. "As pesquisas mostram que eu estou estabilizada, mas mostram, também, que a sociedade brasileira está desestabilizando aqueles que acham que iam fazer desta eleição um plebiscito", disse Marina, em caminhada na Vila das Torres, comunidade de catadores de papel.

A candidata disse que a eleição está, ainda, "nos 12 minutos do primeiro tempo, com muita bola para rolar", e que manterá sua estratégia, que acredita estar funcionando: "falar com o povo, tirar o eleitor do anonimato, apresentar meu projeto e participar dos debates". Para Marina, "o que se vê nas ruas é bem diferente do que se vê nas pesquisas", disse.

A candidata inaugurou, na vila, uma Casa de Marina (comitê voluntário em casas de pessoas comuns), na residência do Palhaço Chameguinho, catador de papel e liderança comunitária folclórica de Curitiba. "Esta comunidade é uma comunidade de empreendedores do meio ambiente, que fazem muito mais do que nosso governo federal vem fazendo."

Marina comentou sobre as novas denúncias de obtenção, por pessoas ligadas ao governo, de informações sigilosas a respeito de membros da oposição. "O que se faz numa campanha é prenúncio do que pode acontecer se essas pessoas assumirem o poder. É um ato ilícito, completamente rechaçado por nossa campanha", afirmou.

A candidata apelou apara que o eleitor brasileiro permita a realização do segundo turno. "Se podemos pensar duas vezes antes de entregarmos o comando do país a quem quer que seja, porque vamos abrir mão desse direito. O primeiro turno é para se votar com o coração, no candidato que você realmente acredita. É para votar em quem você quer, e não em quem querem que você vote", disse, afirmando que acredita que poderá enfrentar Dilma Rousseff (PT) no segundo turno.

"Nossa campanha está aí, sem fazer oposição por oposição. Propondo a sucessão respeitosa das conquistas, mas sem complacência com os erros, como o descaso com o meio ambiente e os 40% de estudantes que não chegam à oitava série", observou.

Marina, que antes da caminhada na Vila das Torres reuniu-se com os candidatos do PV no Paraná e participou de um programa de entrevista na Rede Bandeirantes, seguiu no início da tarde para Maringá (Noroeste do Paraná), onde tem nova agenda de campanha.