Marco Aurélio Garcia: "Dilma será dura sem perder a ternura"

Portal Terra

PORTO ALEGRE - O coordenador do programa de governo da campanha de Dilma Rousseff (PT) e assessor da presidência da República para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia, e o senador pelo Paraná Alvaro Dias (PSDB) protagonizaram na noite desta quinta-feira, em Porto Alegre, um debate marcado por ironia, frases de efeito e trocas de acusações. Ambos falaram para uma plateia de empresários, políticos e intelectuais no seminário intitulado "Brasil de Ideias", promovido pela revista Voto, no Hotel Sheraton.

Garcia ganhou de longe no quesito frases de efeito. Ao responder a uma pergunta a respeito das recorrentes avaliações de que Dilma tem uma personalidade difícil e é rigorosa demais, o secretário resumiu: "a Dilma não será um Lula de saias, mas está comprometida com um projeto. Eu diria que ela será dura sem perder a ternura".

Antes, quando abriu sua exposição, o assessor fez um alerta àqueles que, a partir das últimas pesquisas, consideram que Dilma encerra a eleição no primeiro turno, também recorrendo a um ditado conhecido entre políticos: "eleição e mineração, só no dia da apuração". E, quando teceu elogios à candidata petista, arrematou: "acho que temos uma grande candidata, que não subiu na garupa de ninguém. Teve gente que tentou subir na garupa, mas o cavalo corcoveou".

Dias preferiu abrir o debate com estocadas diretas. "A oposição dizimada é um desserviço para o país", alfinetou, em referência às alianças do governo federal, ao que denominou de marketing oficial e aos altos índices de popularidade da gestão Lula. Ao destacar que o itinerário político dos candidatos à sucessão presidencial era mais importante do que as propostas apresentadas, o senador explicou: "até porque o discurso de campanha às vezes não é a prática do governo. O PT, por exemplo, quando era oposição, combateu o Plano Real e a lei de responsabilidade fiscal".

Em seguida, disse que o próximo governo vai precisar abordar as questões referentes ao crescimento econômico, à dívida pública e ao fato de o país hoje ocupar "lugar de destaque quando o problema é corrupção".

Garcia rebateu fazendo referência aos governos de Fernando Henrique Cardoso (PSDB). "Lições de ética e moral devem ser distribuídas com equidade. Não tivemos processos de privatizações cercados de mistérios e até hoje não resolvidos". Na intervenção seguinte, Dias devolveu: "se este governo assumiu e encontro irregularidades nas privatizações, deveria ter tomado medidas reparadoras. Se encontrou e não tomou providências, então prevaricou".

Incentivado a explicar melhor por que a oposição está dizimada, o senador, que recentemente chamou o assessor de "aloprado de direita", partiu mais uma vez para o ataque. Disse que o marketing oficial de não criticar Lula "faz parte do jogo", mas afirmou existirem "outros instrumentos intimidatórios por parte do governo", voltando a fazer referência a "quebra de sigilo fiscal, processos de investigação em CPI e os dossiês". Garcia também repetiu o discurso. Disse que o governo Lula está combatendo a corrupção como não foi feito por outras administrações.

Quando responderam a uma mesma pergunta sobre o que caracteriza um líder, o assessor e o senador de novo trocaram acusações. Com elegância. "Um líder tem que ter a capacidade de assimilar a crítica sem ódio e é importante reconhecer o feito dos outros, não desdenhar e não se apropriar indevidamente", alfinetou Dias. "Um líder político tem que ter capacidade de agregação e identidade com o país. Não conheço nenhum tipo de liderança no mundo que tenha se constituído sem uma forte identidade com seu país", devolveu Garcia.

Enquanto os dois comparavam Dilma e Serra e mediam feitos e defeitos dos governos Lula e FHC, coube a um dos outros participantes do painel, o presidente da Brasilinvest, Mario Garnero, fazer "um corte". "Queria lembrar que foi o ex-presidente Itamar Franco quem autorizou o Fernando Henrique a dar início ao Plano Real. O Itamar às vezes parece que é esquecido pela história", resu