Lula dá bronca durante panfletagem em porta de fábrica

Portal Terra

S O PAULO - O reencontro do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com a panfletagem na porta de uma fábrica começou em ritmo de comício, na madrugada desta segunda-feira. No entanto, um pouco contrariado, o próprio presidente tomou o microfone e anunciou frente a militantes e trabalhadores da Mercedes Benz, aglomerados na entrada principal da montadora, em São Bernardo do Campo, que o evento político em favor da candidata à presidência da República, Dilma Rousseff (PT), não era para ser dessa forma.

"Olha, foi armada uma estrutura de comício, mas a ideia era mais simples, era apertar a mão de cada um na chegada. Não é sempre que a gente tem uma candidata pra ir à porta de fábrica pra abraçar os companheiros. Não é fazer comício. Não é sempre que uma presidente da República pode vir aqui!", ralhou, levantando o braço de Dilma. "Vocês se organizem e depois vamos descer", ordenou o presidente.

"Prometo não falar de futebol!", provocou Lula, visivelmente feliz com a vitória corintiana no clássico deste domingo frente ao São Paulo, pelo Campeonato Brasileiro. "Como eu vou perder o emprego no dia 1º de janeiro, tenho que praticar e nada como voltar a entregar panfleto outra vez", relevou logo depois.

Inicia-se uma sequência de discursos rápidos. Mercadante, Dilma e Lula. Na multidão, o presidente identifica o sindicalista Zé do Mato, amigo dos tempos das greves no ABC, que "começou a trabalhar na Mercedes antes de ter Mercedes no Brasil". "Tá vendo aquele companheiro careca?", perguntou à ex-ministra. "De vez em quando, ele queria me mandar uma galinha de angola, que nem podia andar de tanta fome!".

Fotógrafos e jornalistas se atropelam e terminam represados em barras de alumínio. Os operários formam uma fila, com o cartão de ponto entre os dedos. "Dá um panfleto só, presidente!", clama um fotógrafo. "Vou dar um panfleto", aceita Lula. Ele pega adesivos da campanha de Dilma e começa a colar nas camisas dos operários. Dilma, sem traquejo, reage aos empurrões com sorrisos. A assessoria da candidata barra o acesso da imprensa à cerimônia de aperto de mãos.