Governador pretende manter secretário de Segurança do Rio

João Pequeno, Portal Terra

RIO DE JANEIRO - O governador do Rio de Janeiro e candidato à reeleição, Sérgio Cabral (PMDB), afirmou, nesta quinta-feira (26), que manterá o secretário de segurança, José Mariano Beltrame, no cargo. Beltrame é responsável por um plano que conseguiu quebrar o domínio de traficantes e milicianos em algumas favelas, com as UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora) e, no ano passado, baixar, pela primeira vez desde 1991, o índice de homicídios no Estado. Nos últimos anos, circularam boatos de que o secretário, policial federal, iria para a PF em Brasília ou em Sergipe.

"O Beltrame continua mais quatro anos com a gente. Esses boatos mostram que tem muita gente insatisfeita com nossa política de segurança", afirmou, durante a sabatina Folha/UOL. Ele também negou que traficantes foragidos das favelas com UPPs tenham aumentado a violência no interior, afirmando que "os índices caíram em todo o Estado".

Até seu adversário Fernando Gabeira (PV) também foi perguntado - na sabatina da última quarta-feira (25) -, se manteria Beltrame, após reconhcer que as UPPs tiveram efeito positivo. Gabeira disse que não poderia responder antecipadamente.

O governador voltou a afirmar que pretende quebrar o domínio do "poder paralelo" de quadrilhas em todo o Estado até o fim de 2014, em um segundo mandato, mas admitiu que evita entrar na favela da Rocinha (Zona Sul) por falta de segurança. Ao ser perguntado se era esse o motivo pelo qual acompanhou por fotos, e não no local, a construção de um muro para evitar avanço das construções para a mata.

No sábado (21), traficantes da Rocinha e policiais trocaram tiros em São Conrado, bairro vizinho. Uma mulher morreu, quatro policiais ficaram feridos e nove suspeitos foram presos por invadirem um hotel de luxo, onde fizeram mais de 30 reféns.

Admitindo que só circula na Rocinha com "aparato de segurança", Cabral afirmou que o caso de sábado "que aconteceu lá já não acontece em diversas outras comunidades, onde não tem chefe do tráfico", citando favelas com UPPs, como Dona Marta (Botafogo), Tabajaras (Copacabana), Batan (Realengo), Cidades de Deus (Jacarepaguá) e Pavão-Pavãozinho (Copacabana) - nestas duas últimas, porém, houve confrontos e apreensões mesmo após a instalação das UPPs. O secretário de Segurança Beltrame admitiu que ainda há partes da Cidade de Deus com tráfico.

O governador atribui o penúltimo lugar do Rio no ranking nacional do Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) a governos anteriores, afirmando que os professores não recebiam reajustes há 12 anos, e alegou que sua mulher, a advogada Adriana Ancelmo, "não advoga contra o Estado", embora ela seja sócia de uma firma que presta assessoria jurídica para concessionárias de serviços públicos, como o Metrô Rio.