Em São Paulo, Marina diz que agora todo mundo quer ser Zé

Filippo Cecílio, Portal Terra

S O PAULO - A candidata do PV à presidência da República, Marina Silva, aproveitou a visita que fez ao Mercado Municipal de São Paulo nesta segunda-feira (23) para cutucar o adversário José Serra, do PSDB. "Agora todo mundo quer ser Zé", disse a candidata, enquanto conversava com o guardador que tomou conta do seu carro, Zé Carlos. "Seu nome agora está na moda".

Marina disse que ainda acredita na possibilidade de alcançar o segundo turno. "Para quem está cantando vitória antes do tempo e para quem está entregando os pontos, eu chamo o eleitor para virarmos o jogo. Eu acredito na democracia. Temos quarenta e poucos dias pela frente e muita coisa pode acontecer".

Na última pesquisa Datafolha, divulgada no último sábado a candidata apareceu com 9%, 1 ponto a menos que na pesquisa anterior, realizada na segunda quinzena de julho.

Marina voltou a afirmar que não fará o uso oportunista da imagem do presidente Lula no seu programa eleitoral, numa nova crítica indireta a Serra, que apareceu ao lado do presidente em programas da semana passada. No entanto, ela também não disse que não fará nenhum tipo de uso da imagem de Lula.

Fama e anonimato

Durante a caminhada no tradicional mercado paulistano, Marina viveu os extremos da popularidade. Muitas pessoas diziam que iriam votar nela, pediam para dar beijo, abraço e para tirar foto com a candidata, como é tradicional nesse tipo de atividade pública dos políticos.

Quando visitou o box 19, a ex-ministra do Meio Ambiente ganhou um pedaço de pitaya amarela, mas disse que não poderia comer o presente por conta dos remédios que toma e das restrições alimentares que o organismo possui.

Por outro lado, Marina provou o sabor amargo de ainda não ser conhecida por grande parte da população. Por mais de uma vez, a candidata foi chamada de Maria. Em outra oportunidade, uma dupla de curiosos se aproximou do aglomerado que a presença da candidata causada e perguntou: "É o CQC? Ah, não, é a Marina! Vamos embora".

Já os funcionários da barraca de número 35 trataram com bom humor a falta de popularidade da presidenciável. "Quem é essa?", perguntou o primeiro. Quando a reportagem do Terra explicou-lhe de quem se tratava, ele disse: "Nossa! Vou tomar um banho então. Ela deve ser bonitona". Seu colega de trabalho tentou ajudar na explicação dizendo: "É aquela alagoana" (Marina é acreana). Ele não percebeu que enquanto falava seus amigos colaram em suas costas uma placa com os dizeres "Vendo meu voto por 50 centavos".

A candidata Marina Silva ainda participa, na noite desta segunda-feira, de um debate promovido pela TV Canção Nova, em São Paulo.