Dilma diz que discutirá reajustes de salário mínimo se eleita

Laryssa Borges, Portal Terra

BRASÍLIA - A candidata do PT à presidência da República, Dilma Rousseff, afirmou nesta terça-feira (31) que, caso seja eleita, pretende discutir e eventualmente renegociar com as centrais sindicais mecanismos de reajuste do salário mínimo. O governo Lula propôs uma política de valorização de longo prazo do benefício, mas o projeto de lei sobre o tema nunca foi aprovado e, a cada legislatura, o Poder Executivo precisava enviar uma medida provisória, que tem validade imediata, para estabelecer o novo valor do salário.

Ao comentar o mínimo de R$ 538,15, previsto no Orçamento Geral da União, encaminhado nesta terça ao Congresso, a ex-ministra da Casa Civil disse se tratar apenas de uma "proposta referência" e prometeu discutir uma fórmula com as centrais em seu eventual governo. As rodadas de debate ocorreriam a partir da tese de que o reajuste deve levar em conta a inflação acrescida do Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos anteriores à sua vigência.

"Agora vamos ter de sentar e fazer o mesmo processo que o governo Lula fez com as centrais. Caso eu seja eleita, farei isso, ou seja, discutir com as centrais uma proposta de longo prazo, que a gente considera o período do governo, de 2011 a 2014, e um critério de reajuste", comentou ao receber jornalistas para uma coletiva de imprensa em Brasília e garantir "sem sombra de dúvida" a possibilidade de políticas de aumentos reais do salário mínimo. A candidata petista se recusou a estimar um valor para o salário mínimo ao final de seu eventual governo e disse que seria uma "leviandade" projetar o tamanho do benefício em 2014.

Ajuste fiscal

Ela voltou a negar que pretende, se eleita, promover ajustes fiscais. "O Brasil nunca cresceu 7% desde 1986. Olhar o Brasil daqui para a frente e achar que é menos que nós fizemos está errado. O Brasil daqui para a frente é mais do que nós fizemos. Daqui para a frente temos mais oportunidades, e não menos. Nosso horizonte abriu. Não somos aquele País de 2002, por isso acho estranhíssimas as propostas de ajuste fiscal. Ajuste fiscal e investimento não são compatíveis. Sou a favor de uma política de crescimento para o Brasil. Com o ajuste fiscal você desmonta o Estado executor e fortalece o Estado fiscalizador", informou, afirmando que um dos coordenadores de sua campanha, o ex-ministro da Fazenda, Antonio Palocci, também nunca defendeu "ajuste de nenhuma espécie".

Reforma previdenciária

Questionada sobre a possibilidade de realizar uma reforma da Previdência Social em seu governo, a candidata do PT disse que não pode dar conta de "todos os leões ao mesmo tempo" e elencou as reformas política e tributária como mais emergenciais. "A gente não pode achar que dá conta de todos os leões. Um leão é a reforma política. O outro leão é a reforma tributária", disse, admitindo, no entanto "algum ajuste" ao longo do tempo.

A candidata ainda recebeu na manhã desta terça o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Braga, e discutiu com ele projetos de formação profissional, aliança entre o Ensino Médio e o ensino profissionalizante, a política de expansão de escolas técnicas e a criação de um selo nos moldes do ISO para empresas que investem em inovação tecnológica.