Camillo: Política e sacanagem não têm a ver?

Dayanne Sousa, Portal Terra

RIO DE JANEIRO - A multidão nas ruas é comparável à que já assistiu a seus vídeos pela internet, mas ali ninguém sabe que ele é o candidato que publicou cenas gravadas num motel para divulgar sua candidatura. Em caminhada no centro de São Paulo, o aspirante a deputado federal pelo PP, Jeferson Camillo falou com gente que nunca sentou a frente de um computador. Apesar disso, aproveitou para justificar a estratégia de campanha: "Quem disse que política e sexo não têm nada a ver? Política e sacanagem não têm a ver?"

Camillo nunca concorreu a uma eleição, mas ficou famoso por colocar na internet uma série de vídeos que simulam cenas de sexo. "Casal é surpreendido em banheira de motel" ou "Loira em noite secreta no motel" são alguns dos títulos. Depois de um trecho encenado, aparece uma mensagem da campanha: "Experimente algo novo, você vai gostar" (assista aqui).

O candidato do PP assume que falar de sexo foi "para chamar atenção", mas usa uma série de argumentos para justificar que os vídeos não são apenas sobre sexo. "A próxima etapa nossa vai ser associar os vídeos com a sacanagem na política. Um deficiente que não tem atendimento, isso é sacanagem!"

Ele diz que os vídeos são a defesa da diversidade, mas se esquiva ao falar de causas homossexuais. "Não vou fazer julgamento nem dizer se é certo ou errado".

Nas ruas, Camillo era só mais um. Aborda vendedores ambulantes e um mar de homens-sanduíche. A maioria com mais de 60 anos não tem internet em casa, caso do vendedor de cartões telefônicos Romeu, que reclama que "toda a vida na política teve mão grande". Gente de todo tipo aproveita a ocasião para reclamar dos parlamentares. Camilo responde dizendo que não é político, "só um candidato novo".