Davi Lemos, Portal Terra
SALVADOR - Na véspera do aniversário de 83 anos de nascimento do senador Antônio Carlos Magalhães (1927 - 2007), a família e políticos - dos aliados aos ex-carlistas ¿ enalteceram a memória do velho cacique, que ficou conhecido na Bahia como o "cabeça branca". À inauguração do Instituto Antônio Carlos Magalhães de Ação, Cidadania e Memória (IACM), nesta sexta-feira (3), no Terreiro de Jesus (Salvador), acorreram nomes como o senador César Borges (PR), hoje desligado do grupo que o lançou na política, e o prefeito João Henrique (PMDB), que costuma ir a todas as homenagens a ACM.
E claro que não poderiam faltar os aliados de sempre, como o candidato ao governo Paulo Souto (DEM), para quem "a sua história de luta pela Bahia é suficiente para que eternamente se lembrem dele como homem que marcou a história". A homenagem veio no momento em que, inclusive nas propagandas eleitorais, os democratas baianos ressaltal "o amor" que o senador tinha pela Bahia - aproveitando, claro, para atacar o governo Jaques Wagner (PT), que não teria o mesmo amor.
O prefeito de Salvador, João Henrique, que fez oposição ao carlismo quando era deputado estadual, sendo até líder da bancada de oposição, fez comentários mais que elogiosos ao velho cacique: "o Antônio Carlos Magalhães continua sendo um mito para a Bahia e ainda será por muito tempo", comentou o prefeito, para quem o Instituto é "um instrumento para transformar a realidade do Brasil, da Bahia e de Salvador". João Henrique também aproveitou para dizer que são boatos as notícias de que estaria saindo do PMDB por discordâncias com Geddel Vieira Lima.
O deputado federal ACM Neto (DEM), que concorre à reeleição, disse que mesmo que a família não tivesse feito a homenagem, fundando o instituto em um local recuperado pelo avô na década de 90, o Pelourinho, o ex-senador ainda seria lembrado todos os dias pelo povo baiano. "Baianos de todas as regiões se dirigem a mim com palavras afetuosas, pedindo que eu trabalhe pelo menos 10% do que ele trabalhou pela Bahia".
Cultura
Para o senador ACM Júnior (DEM), a escolha do Centro Histórico de Salvador para acolher o Instituto é porque "o Pelourinho é parte culminante do amor dele com a cultura da Bahia". E daí vieram as críticas contra o governo de Jaques Wagner, que teria "abandonado" o local. Até Dona Canô, a matriarca dos Veloso, apareceu em vídeo para comentar como era o tratamento a cultura antes e agora. "Ele (ACM) ajudava a cultura baiana. Hoje não digo nada porque não posso falar", disse a mãe de Caetano Veloso e Maria Bethania.
A cantora Ivete Sangalo também apareceu no vídeo em homenagem a ACM para dizer que, depois dele, "o Brasil começou a querer ser baiano". O candidato democrata ao governo, Paulo Souto, chegou a utilizar frase de ACM para dizer do abandono da cultura no estado, representada pelo Centro Histórico. "Se os meus adversários pensam que vão destruir essa obra do povo baiano, não vão conseguir porque a Bahia não vai permitir".
Até o senador César Borges (PR), para quem a figura de ACM é "indelével" na história da Bahia, disse que a crise por que passa o Centro Histórico é por falta de visão da atual administração que não vê a importância do local. "O legado não é de Antônio Carlos, o legado é da Bahia. E você não pode atingir alguém que já se foi. O Pelourinho foi coisa feita com muito amor, muita dedicação de sua equipe de governo".
Os carlistas cobram do governo petista o início da sétima etapa de recuperação do local, previstas para começar ainda em 2007. "Não tem desleixo de governante que seja capaz de ofuscar o que o Pelourinho representa para a Bahia e o Brasil", disse o candidato ao governo, Paulo Souto, que enalteceu a "resistência" dos comerciantes que ainda se mantêm no lugar.