RS: prefeitos do PMDB apoiam Dilma, mas deputados estão com Serra

Portal Terra

PORTO ALEGRE - O PMDB do Rio Grande do Sul vive um novo dilema. Enquanto cerca de 100 dos 140 prefeitos do partido preparam o anúncio de seu apoio à candidata do PT na disputa presidencial, Dilma Rousseff, 13 dos 14 deputados estaduais e federais (a exceção é o deputado federal Mendes Ribeiro Filho, coordenador da campanha do candidato ao governo, José Fogaça) preferem o adversário de Dilma, o tucano José Serra.

Detalhe: a direção estadual do PMDB oficializou a neutralidade na eleição presidencial, mesmo que o partido tenha indicado o vice na chapa de Dilma, o presidente nacional da sigla e da Câmara dos Deputados, Michel Temer. A neutralidade, mantida nos discursos dos candidatos da chapa majoritária na eleição estadual e no do presidente da legenda no Estado, o senador Pedro Simon, foi uma forma de a direção tentar acomodar as diferenças internas.

Não adiantou. Os 13 parlamentares, quase todos também candidatos, apoiam Serra. Na outra ponta, os prefeitos começaram a declarar apoios individuais a Dilma. Foi um golpe duro para as lideranças peemedebistas que garantiam ao ex-governador de São Paulo um PMDB que "jamais votaria em Dilma no Rio Grande".

Antes que o PT, que tem como candidato ao governo Tarso Genro, o maior adversário de Fogaça na disputa ao Palácio Piratini, capitalizasse a conquista dos apoios a Dilma, a direção peemedebista agiu. Via Associação dos Prefeitos do partido, um braço do diretório estadual, passou a "organizar" a preferência dos líderes municipais pela petista.

"Eles vão apoiar de um jeito ou outro. Então, o melhor é que seja pela via certa", adianta um deputado federal. "O que estava acontecendo é que o PT pegava uma adesão aqui, outra ali, a partir de afinidades regionais. Ora, qual é a nossa porta de entrada no governo da Dilma? Não é a porta do PT. É a porta do PMDB, porque temos o vice", informa o presidente da Associação e prefeito da cidade de Quinze de Novembro, Clair Kuhn.

Na noite desta segunda-feira (16) integrantes da Associação se reúnem na sede do PMDB em Porto Alegre. Na quarta-feira acontece outro encontro. Era essa reunião de quarta que uma série de prefeitos pretendia que se transformasse em um ato oficial de apoio a Dilma. A cúpula e outra fatia de prefeitos acalmaram os mais afoitos. Primeiro, esvaziaram a participação de peemedebistas no encontro da ex-ministra com lideranças municipais ocorrido na sexta-feira (13) em Porto Alegre. Só seis prefeitos da legenda estavam na mesa principal. E pelo menos um prefeito do PMDB foi, mas não para integrar a mesa, e sim para, discretamente, "observar" as adesões.

Agora, a reunião de quarta é anunciada como preparatória a outra: um encontro dos prefeitos do PMDB gaúcho com Temer, em Porto Alegre, na semana seguinte. "Nossa posição vai ser definida a partir da reunião com o deputado Temer. É ele o candidato do nosso partido", reforça Kuhn. Os prefeitos têm duas perguntas para o vice de Dilma. A primeira é por que ele aparece tão pouco ao lado da petista. A segunda é qual a contrapartida, durante a eleição, caso abram seu apoio. Por exemplo: se Dilma ganhar no primeiro turno e Fogaça mantiver a neutralidade (o que parece cada vez mais difícil), o que acontecerá no segundo? Ela virá ao Estado e fará campanha aberta para Tarso Genro, em detrimento de Fogaça, já que as pesquisas colocam os dois no segundo turno?

Há, é verdade, divisão também entre os prefeitos do PMDB. Enquanto os de muitas pequenas cidades se inclinam por Dilma, em alguns dos maiores colégios eleitorais do Estado, como Caxias do Sul, Santa Maria e Rio Grande, eles preferem Serra. "Procurando respeitar todas as opiniões, devido a minha posição, mas temos o vice, então é natural que companheiros prefeitos digam que vão apoiar a Dilma", diz o peemedebista Vilmar Perin Zanchin, que preside a Federação das Associações de Municípios do RS (Famurs). Zanchin é prefeito da cidade de Marau e tem um vice do PT.

O Rio Grande do Sul possui 496 municípios. O PMDB comanda 140. Em 31, tem o P