Prefeita capixaba é acusada de usar servidor como caseiro

Alex Cavalcanti, Portal Terra

VITÓRIA - Vereadores do município de Marechal Floriano, na região serrana do Espírito Santo, acusam a prefeita do município, Eliane Lorenzoni, de mandar desligar a energia de uma torre de retransmissão de TV que distribui o sinal das principais emissoras do estado na região. A manobra teria o objetivo de impedir que a população local tomasse conhecimento de uma denúncia, protocolada na última quarta-feira no Ministério Público Estadual, em que a prefeita é acusada de utilizar um servidor municipal para realizar trabalhos domésticos em sua residência, durante o horário do expediente. "Foi uma manobra para censurar a imprensa. Ela não consegue justificar o trabalho desse servidor em sua casa e fez isso. É um ataque à liberdade de imprensa", afirmou o vereador Juarez Xavier (PTB).

Na denúncia, com pedido de afastamento do cargo, a prefeita Eliane Lorenzoni é acusada de manter um gari da prefeitura trabalhando em sua residência como jardineiro, durante o horário de expediente. Além disso, o funcionário, que é aposentado, ocupa um cargo em comissão de "gerente", com salário de R$ 700, mas seria, na verdade, responsável pela limpeza da rua onde está localizada a casa da prefeita.

A denúncia foi feita pelos vereadores Juarez José Xavier (PTB) e João Cabral Rodrigues Conciglieri (PMDB), que durante semanas gravaram em vídeo as imagens entregues ao Ministério Público. No DVD, é possível ver o servidor René Bento trabalhando, ainda com o uniforme da prefeitura, no jardim da casa da prefeita. Ainda segundo o denunciante, o servidor trabalha na casa da prefeita há pelo menos oito anos. "A prefeita deveria devolver pelo menos R$ 100 mil aos cofres públicos, já que o funcionário está à disposição dela desde a época em que o marido dela era prefeito", afirma Juarez. A prefeita é casada com o deputado estadual Cacau Lorenzoni (PP), corregedor da Assembléia Legislativa do Espírito Santo e ex-prefeito de Marechal Floriano, que é candidato à reeleição.

O deputado foi procurado para se manifestar sobre a denúncia, mas não foi localizado. Já a prefeita Eliane Lorenzoni afirmou, em entrevista por telefone, que está ciente da acusação mas que não há nenhuma irregularidade na contratação do servidor. "O senhor Bento é aposentado e tem um cargo comissionado na prefeitura. Além disso, ele realiza 'bicos' fora do horário do expediente, como dezenas de outros servidores", afirmou a prefeita, que garantiu que as atividades de jardineiro que ele realiza em sua residência são executadas "fora do expediente e remuneradas com recursos próprios".

A prefeita também contra-atacou e afirmou que a denúncia dos vereadores é uma retaliação a uma CPI instalada na Câmara Municipal, para apurar um suposto desvio de recursos. "O senhor Juarez, quando foi presidente da Câmara, devolveu R$ 1 milhão para o Executivo e esse dinheiro foi usado em um contrato que está sendo investigado", denuncia a prefeita.

Questionado sobre a CPI, o vereador Juarez afirma que faz parte de uma guerra da prefeita e do marido. "Eu fiz uma devolução recorde de R$ 1 milhão para o Executivo. O que a prefeitura fez com esse dinheiro não é minha responsabilidade. Fiz a minha parte, zelando pelo dinheiro público, economizando, e devolvendo ao Executivo", rebateu o vereador. O outro denunciante, vereador João Cabral, afirma que a CPI é uma tentativa de abafar outro caso investigado na Câmara Municipal. "Ela está sendo investigada em outra CPI, por conta de um contrato de R$ 2 milhões e usou a base de apoio para nos retaliar e tentar abafar o caso. O dinheiro público em Marechal Floriano está sendo desrespeitado", afirmou Cabral.

Os parlamentares afirmaram que agora cabe ao Ministério Público investigar a fundo as denúncias e que vão aguardar o posicionamento do órgão para decidirem se vão abrir mais uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o caso.