Indio provoca Temer, que evita confronto no debate entre vices

Filippo Cecilio e Marcela Rocha, Portal Terra

S O PAULO - No primeiro debate entre os candidatos à vice-presidência da República, o deputado Indio da Costa (DEM-RJ) mirou seus ataques no PT e esquentou a plateia no auditório do jornal O Estado de São Paulo. Impassível ante as provocações, Michel Temer (PMDB-SP) se limitou a por panos quentes nas acusações de Indio, com respostas vagas e por vezes até concordando com seu adversário em temas como aborto, casamento entre pessoas do mesmo sexo e pesquisas com células tronco.

Guilherme Leal (SP), vice de Marina Silva (PV), foi o reflexo do cenário eleitoral ao ser escanteado na polarização entre os vices de José Serra (PSDB) e Dilma Rousseff (PT). Ele respondia a todas as perguntas da mesma forma, citando Marina, suas opiniões e ideias. Raramente o empresário usou o pronome pessoal na primeira pessoa do plural: "nós".

Quando ainda se apresentava ao público, o vice de Serra já arregaçava as mangas e partia para cima de Temer e, por consequência, da candidatura de Dilma e do governo Lula. "Quais são as atribuições de um vice?", foi a primeira pergunta.

Indio deixou de responder e aproveitou para dar o primeiro golpe. O candidato a vice pela oposição ressaltou seu trabalho frente à CPMI que investigou o mau uso de cartões corporativos e disparou: "a lista da CPMI era encabeçada por Dilma Rousseff". Temer, político experimentado, ignorou o ataque intempestivo do deputado carioca.

Guilherme Leal desde o começo procurou repetir a postura de Marina Silva nestas eleições, se apresentando como uma "terceira via" na disputa, tentando se diferenciar dos demais concorrentes. Não faltaram alusões à sua persona de empresário amigo do meio ambiente, mas com uma novidade: pela primeira vez se soube que a Natura, empresa que o candidato presidia, começou num "fundo de quintal", numa tentativa de mostrar a capacidade empreendedora e gerencial do verde.

Numa de suas intervenções, o vice de Marina resumiu bem o tom do debate: "quero concordar com o Indio, aguerrido, com seu arco e flecha". O riso na plateia foi geral. Em seguida, o vice do PV deixou clara sua posição "não vou me meter na polarização", e com isso ficou de fora da troca de farpas do debate.

O debate tocou em temas recorrentes nessas eleições: ocupações de terra e a forma como o próximo presidente trataria o MST. A bola quicou. Indio chutou. Na trave. Temer se disse "um legalista" e defendeu, sem qualquer paixão, a atuação dos movimentos sociais. "Essa pode ser a posição de Temer, mas a de Dilma é outra. No dia 20 de abril ela vestiu o boné do MST e abraçou aquela turma toda", rebateu Indio. Disse ainda o candidato que o governo federal foi "frouxo" em relação ao MST e ao controle do tráfico de drogas nas fronteiras.

Temer voltou a tocar no tema "movimentos sociais". Indio não perdeu a deixa e retucou: "eu não reconheço o MST como movimento social. Até agora Dilma não respondeu se há ligação do PT com as Farc. Também não reconheço as Farc como movimento social, elas são financiadas pela droga". E completou:

- Se me chamassem para uma reunião com as Farc eu chamo a polícia federal e prendo todo mundo. Dilma tem que se explicar. Pediram direito de resposta ao que eu disse e não responderam, nada foi explicado. As pessoas estão anestesiadas, vamos retirar a anestesia e sentir a dor.

Com direito a baile funk carioca em resposta sobre aborto, Indio disse que nessas festas, meninas, as "preparadas", participam dos chamados "bondes" e voltam para suas casas grávidas e sem saber quem é o pai. "Não defendo o aborto como método contraceptivo. Investiremos muito em educação sexual", completou.

Indio era o único que não vestia o uniforme típico de ocasiões solenes: terno e gravata. Na plateia, ouvia-se: "é para reforçar a jovialidade". Ao chegar, o parlamentar carioca checou o som e jogou com a plateia: "está com eco. Bom, vocês sabem que eu trabalhei com música. É a microfonia que não está legal". O carioca foi DJ.

Na plateia do debate havia mais jornalistas e técnico