Dilma: "poucos passaram por um escrutínio tão pesado como eu"

Portal Terra

S O PAUILO - A candidata do PT à presidência da República, Dilma Rousseff, afirmou no quarto bloco do debate Folha-UOL, que é infundada a tentativa de desqualificá-la sob a alegação de que ela não tem experiência administrativa para ocupar o cargo que disputa. O bloco foi reservado a perguntas pré-gravadas de internautas.

"A pergunta me permite deixar claro a tentativa de desqualificação infundada. Lutei contra a ditadura, fui secretária em Porto Alegre. Fui ministra das Minas e Energia, fiz parte do Conselho da Petrobras e fui ministra da Casa Civil. Não sou uma política convencional. Poucas pessoas passaram por um escrutínio tão pesado como eu nesse perído", disse.

Em outra questão respondida por Dilma - se ela era ou não favorável ao aborto -, a candidata fez uma afirmação convencional. "Eu não acredito que tenha uma mulher que seja favorável ao aborto. Elas recorrem no desespero e passa a ser questão de saúde pública, pela forma desigual como a população é dividida. Há uma legislação sobre o aborto e a proteção da mulher. Um, em caso de estupro. Dois, caso haja risco à saúde da mulher", disse.

Serra se defendeu, na primeira resposta aos internautas, diante da pergunta se seria o candidato das elites. "Estudei sempre em escola pública, trabalhei bem cedo, fui líder estudantil, fui para o exílio e me envolvi em vida pública, eleições. Tive cerca de 80 milhões de votos nesse tempo. Ocupei diversos cargos, de deputado a governador. Ajudei a criar o Fundo de Amparo ao trabalhador. O FAT pagava o seguro desemprego. Minha vida pública sempre foi voltada para os trabalhadores e desamparados", disse.

Em seguida, Serra respondeu sobre o loteamento de cargos no governo. "Tem de mudar o cenário. O toma lá, dá cá, tomou conta do governo federal. Tudo loteado, entre partidos, baixando o nível da politica brasileira, desmoralizando a gestão pública. Eu não fiz isso no Ministério da Saúde. Não fiz loteamento na Prefeitura nem no Estado de São Paulo. Vou pôr fim a esse troca-troca desavergonhado", disse.

Marina Silva, que se diz favorável às reformas política e tributária, afirmou que os candidatos só se comprometem com elas durante a campanha. Ela defende uma Constituinte exclusiva para dar andamento a elas. "As pessoas se comprometem com as reformas nos debates, depois reformam os compromissos que falam. A nossa proposta é a que pode integrar todas. Em torno de uma constituinte exclusiva. Precisamos de uma nova realidade política e um novo acordo social", afirmou.

Ao responder se os bancos faziam doações financeiras aos candidatos por amor ao Brasil, ela afirmou: "Se não são feitas com amor, devem ser feitas de acordo com a legislação eleitoral. Se não são feitas com amor, que sejam feitas com pudor. Já tenho mais de 400 contribuições de pessoas físicas", disse.