AL: nova tropa de choque de Collor assusta tucanos

Portal Terra

MACEIÓ - A nova tropa de choque do senador Fernando Collor (PTB/AL) assusta os tucanos de Alagoas. Envolvidos em assassinatos e presos várias vezes por corrupção, os deputados estaduais Cícero Ferro (PMN) e João Beltrão (PRTB) são presenças obrigatórias no palanque do ex-presidente da República no interior do Estado. Eles elevam os tons dos ataques, seguindo uma cartilha implantada por Collor em discurso no lançamento de sua candidatura: tratar os "bandidecos de merda" com o "peso de sua mão".

Em discurso na cidade de Penedo, a 173 quilômetros de Maceió, no último final de semana, Beltrão, ao lado de Collor, falava para a multidão e apontava, com o dedo esquerdo, prováveis emissários do PSDB, que filmavam ou assistiam ao discurso. Collor acompanhava os gestos.

"Estão filmando aqui para o Alexandre, aquele amarelo sem vergonha", dizia Beltrão, em tom ameaçador, referindo-se ao ex-prefeito de Penedo, Alexandre Toledo (PSDB). "E a de vermelho, onde está? Correu, foi? Pode ficar aqui, não tem problema. Não tenho culpa de vocês trabalharem para amarelo sem vergonha igual a vocês", continuou.

Há duas semanas, em discurso, Collor chamou o prefeito de Palmeira dos Índios - a 136 quilômetros da capital - de "maloqueiro".

João Beltrão foi preso em 2008, acusado de matar o cabo Gonçalves, da Polícia Militar, assassinado em Maceió a tiros em 1996; em abril deste ano, foi denunciado pelo Ministério Público Estadual por matar o bancário Dimas Holanda, em 1997. Sete pistoleiros usaram o carro do deputado para executar a vítima. Há dois anos, na Assembleia Legislativa, defendeu, em discurso, o uso do "método João Beltrão" para acabar com os "bandidos de Alagoas". O Tribunal de Justiça abriu uma ação contra o parlamentar, mas ela foi arquivada porque os desembargadores alegaram que Beltrão emitiu uma "opinião pessoal".

Os dois processos por assassinato tramitam no Judiciário alagoano, ainda sem data para julgamento.

Indiciado pela Polícia Federal por desviar R$ 300 milhões da folha de pagamento da Assembleia Legislativa e denunciado pelo Tribunal Regional Federal da 5ª Região, com sede em Recife, João Beltrão foi fisgado pela lei do Ficha Limpa. O Tribunal Regional Eleitoral (TRE) negou o seu registro de candidatura porque o Tribunal de Contas da União (TCU) reprovou as contas de Beltrão quando ele era prefeito da cidade de Coruripe, no litoral sul alagoano e curral eleitoral da família do deputado estadual, forte reduto colorido.

Cícero Ferro já foi preso quatro vezes, em dois anos. É acusado de ter armas em casa sem autorização e de matar o primo, Jacó Ferro, em 2005, e o vereador de Penedo, Fernando Aldo, em 2007, de quem era desafeto político. Ambos os processos tramitam no Judiciário, aguardando julgamento, sem data prevista.

"Não usarei a mesma estratégia dos adversários", disse o governador Teotônio Vilela Filho (PSDB), alvo da nova tropa de choque colorida.

"Collor é um homem sofisticado, mas os que o cercam não", garantiu o candidato a vice de Vilela, José Thomáz Nono (DEM).