{"id":405,"date":"2026-10-11T18:00:00","date_gmt":"2026-10-11T21:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jb.com.br\/editorias\/?p=405"},"modified":"2026-10-08T15:03:23","modified_gmt":"2026-10-08T18:03:23","slug":"cabeludinha-fruta-brasileira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jb.com.br\/editorias\/2026\/10\/11\/cabeludinha-fruta-brasileira.html","title":{"rendered":"Parece jabuticaba, mas \u00e9 amarela e coberta de pelos: a cabeludinha \u00e9 fruta nativa da Mata Atl\u00e2ntica com sabor doce-acidulado que d\u00e1 frutos em outubro em S\u00e3o Paulo"},"content":{"rendered":"<p>Imagine uma jabuticaba que trocou a casca preta e lisa por uma pele amarela, coberta de pelos finos. \u00c9 assim que se apresenta a <strong>cabeludinha<\/strong>, fruta nativa da Mata Atl\u00e2ntica tamb\u00e9m chamada de jabuticaba-amarela. Nos viveiros da Prefeitura de S\u00e3o Paulo, a planta \u00e9 registrada com frutos em outubro, em plena primavera.<\/p>\n<h2>A Flora e Funga do Brasil registra a cabeludinha como Myrciaria glazioviana<\/h2>\n<p>O nome cient\u00edfico aceito hoje \u00e9 <strong>Myrciaria glazioviana<\/strong>, da fam\u00edlia Myrtaceae, a mesma da jabuticaba, da pitanga e da goiaba. \u00c9 o que mostra o <a href=\"https:\/\/servicos.jbrj.gov.br\/v2\/flora\/taxon\/Myrciaria%20glazioviana\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">registro da Flora e Funga do Brasil, do Jardim Bot\u00e2nico do Rio de Janeiro (JBRJ)<\/a>, a lista oficial de esp\u00e9cies do pa\u00eds.<\/p>\n<p>O mesmo registro re\u00fane os nomes populares da planta: jabuticaba-amarela, cabeludinha, peludinha, guapirijuba e vassourinha-da-praia. Segundo a base, a esp\u00e9cie \u00e9 <strong>end\u00eamica do Brasil<\/strong>, ou seja, s\u00f3 ocorre naturalmente aqui, e aparece na Mata Atl\u00e2ntica de Alagoas, Bahia, Esp\u00edrito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, em floresta \u00famida e em restinga.<\/p>\n<p>Quem pesquisa a fruta vai encontrar outros nomes cient\u00edficos. A p\u00e1gina de plantas da <a href=\"https:\/\/www.esalq.usp.br\/d-plant\/node\/338\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, da Universidade de S\u00e3o Paulo (Esalq\/USP)<\/a> ainda a identifica como Eugenia cabelludo e Myrciaria glomerata. J\u00e1 a Flora e Funga trata Myrciaria glomerata, e o sin\u00f4nimo Plinia glomerata, como outra esp\u00e9cie, com ocorr\u00eancia em Minas Gerais e no Par\u00e1 e sem nome popular registrado.<\/p>\n<h2>O fruto \u00e9 amarelo, peludo e mede de 2 a 3 cent\u00edmetros<\/h2>\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1200\" height=\"900\" src=\"https:\/\/www.jb.com.br\/editorias\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/g39-corpo.jpg\" alt=\"Tigela com cabeludinhas colhidas e uma fruta cortada ao meio mostrando a polpa sobre mesa de madeira\" class=\"wp-image-604\" srcset=\"https:\/\/www.jb.com.br\/editorias\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/g39-corpo.jpg 1200w, https:\/\/www.jb.com.br\/editorias\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/g39-corpo-300x225.jpg 300w, https:\/\/www.jb.com.br\/editorias\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/g39-corpo-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/www.jb.com.br\/editorias\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/g39-corpo-768x576.jpg 768w, https:\/\/www.jb.com.br\/editorias\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/g39-corpo-750x563.jpg 750w, https:\/\/www.jb.com.br\/editorias\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/g39-corpo-1140x855.jpg 1140w\" sizes=\"auto, (max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Tigela com cabeludinhas colhidas e uma fruta cortada ao meio mostrando a polpa sobre mesa de madeira. Imagem ilustrativa gerada por intelig\u00eancia artificial.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>A descri\u00e7\u00e3o da Esalq\/USP \u00e9 direta: o fruto \u00e9 uma baga <strong>amarela e profusamente tomentosa<\/strong>, termo da bot\u00e2nica para superf\u00edcie coberta de pelos. Ele \u00e9 globoso e achatado nos polos, mede de 2 a 3 cent\u00edmetros de di\u00e2metro e tem um caro\u00e7o relativamente grande. O sabor, segundo a universidade, \u00e9 adocicado e refrescante.<\/p>\n<p>Uma revis\u00e3o publicada em 2021 na revista <a href=\"https:\/\/sea.ufr.edu.br\/SEA\/article\/download\/1312\/1467\/4168\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Scientific Electronic Archives<\/a> completa o retrato: frutos globosos, pilosos e verrucosos, de <strong>2,5 a 3 cent\u00edmetros<\/strong>, com casca amarelo-alaranjada e polpa suculenta.<\/p>\n<p>H\u00e1 um por\u00e9m. Pesquisadores do <a href=\"https:\/\/biblioteca.incaper.es.gov.br\/digital\/bitstream\/123456789\/3354\/1\/germinacaodesementesevigosdeplantulas-guimaraes.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Instituto Capixaba de Pesquisa, Assist\u00eancia T\u00e9cnica e Extens\u00e3o Rural (Incaper)<\/a>, em artigo publicado em 2018 na revista Rodrigu\u00e9sia, descrevem a polpa como suculenta, de <strong>sabor doce-acidulado<\/strong>, por\u00e9m escassa. Com o caro\u00e7o grande, sobra pouca polpa em cada fruta. O mesmo estudo aponta que os frutos s\u00e3o ricos em vitamina C e muito apreciados para consumo in natura.<\/p>\n<h2>A planta \u00e9 baixa e cabe em pomar de quintal<\/h2>\n<p>Diferente de muitas \u00e1rvores da Mata Atl\u00e2ntica, a cabeludinha n\u00e3o cresce muito. O artigo do Incaper a descreve como um arbusto de cerca de <strong>3 metros<\/strong> de altura. A ficha dos <a href=\"https:\/\/prefeitura.sp.gov.br\/web\/meio_ambiente\/w\/servicos\/viveiros\/4418\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">viveiros da Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente de S\u00e3o Paulo<\/a> indica de 3 a 6 metros, com tronco de 25 a 35 cent\u00edmetros de di\u00e2metro na fase adulta. A Esalq\/USP acrescenta que a folhagem \u00e9 densa e baixa, com aspecto de touceira.<\/p>\n<p>Segundo o Incaper, a esp\u00e9cie provavelmente se originou no Rio de Janeiro e em Minas Gerais e \u00e9 muito cultivada da Bahia ao Rio Grande do Sul. A Esalq\/USP cita o cultivo principalmente em Minas Gerais, no Rio de Janeiro e em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<h2>Em S\u00e3o Paulo, a planta floresce no outono e d\u00e1 frutos em outubro<\/h2>\n<p>A ficha da prefeitura paulistana registra a flora\u00e7\u00e3o da cabeludinha em <strong>maio e junho<\/strong> e os frutos em <strong>outubro<\/strong>. Ou seja: na capital paulista, a fruta aparece em plena primavera, alguns meses depois das flores.<\/p>\n<p>Vale um cuidado. Esse \u00e9 o calend\u00e1rio informado para S\u00e3o Paulo, e a \u00e9poca pode mudar de uma regi\u00e3o para outra, j\u00e1 que a esp\u00e9cie ocorre de Alagoas ao Rio Grande do Sul, com climas bem diferentes. As fontes consultadas n\u00e3o trazem um calend\u00e1rio \u00fanico para todo o pa\u00eds.<\/p>\n<h2>Da jabuticaba preta \u00e0 amarela, a fam\u00edlia \u00e9 a mesma<\/h2>\n<p>A compara\u00e7\u00e3o com a jabuticaba n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 pela apar\u00eancia. As duas s\u00e3o da fam\u00edlia Myrtaceae. Em texto da <a href=\"https:\/\/www.infoteca.cnptia.embrapa.br\/bitstream\/doc\/924224\/1\/nativasLia.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecu\u00e1ria (Embrapa)<\/a> sobre frutas nativas, a pesquisadora Rosa Lia Barbieri lembra que as jabuticabas tradicionais s\u00e3o frutas escuras e globosas, produzidas junto ao tronco. A cabeludinha guarda o formato redondo, mas troca o roxo-escuro pelo amarelo e a casca lisa pelos pelos.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do consumo in natura, a planta tem outros usos registrados. Um trabalho da <strong>Universidade Tecnol\u00f3gica Federal do Paran\u00e1 (UTFPR)<\/strong>, campus Dois Vizinhos, apresentado no <a href=\"https:\/\/portaleventos.uffs.edu.br\/index.php\/FRUSUL\/article\/view\/5153\/3407\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">simp\u00f3sio de frutas do Sul (Frusul)<\/a>, cita o uso da esp\u00e9cie em reflorestamento de \u00e1reas degradadas, em pomares e como planta ornamental. O artigo do Incaper acrescenta que as sementes s\u00e3o espalhadas por animais, o que torna a fruta importante para a fauna e sugere seu uso para enriquecer fragmentos de floresta.<\/p>\n<p>Para quem quer ver ou provar a fruta, a dica \u00e9 procurar mudas de frut\u00edferas nativas em viveiros e feiras de plantas, j\u00e1 que a cabeludinha raramente aparece em supermercado. Pela ficha paulistana, outubro \u00e9 o m\u00eas de prestar aten\u00e7\u00e3o nos p\u00e9s carregados.<\/p>\n<p>Informa\u00e7\u00f5es conferidas em 8 de outubro de 2026 nas fontes citadas.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jabuticaba-amarela da Mata Atl\u00e2ntica tem casca peluda, polpa doce-acidulada e planta baixa, que cabe no quintal.<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":550,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jnews-multi-image_gallery":[],"jnews_single_post":{"format":"standard","subtitle":"Jabuticaba-amarela da Mata Atl\u00e2ntica tem casca peluda, polpa doce-acidulada e planta baixa, que cabe no quintal."},"jnews_primary_category":[],"jnews_social_meta":[],"jnews_override_counter":[],"footnotes":""},"categories":[263],"tags":[468,471,472,469,354,470],"class_list":["post-405","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-curiosidades","tag-cabeludinha","tag-frutas-nativas","tag-frutiferas-para-quintal","tag-jabuticaba-amarela","tag-mata-atlantica","tag-myrciaria-glazioviana"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v25.0 - 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