{"id":1189,"date":"2026-11-02T21:30:00","date_gmt":"2026-11-03T00:30:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jb.com.br\/editorias\/?p=1189"},"modified":"2026-11-02T21:30:00","modified_gmt":"2026-11-03T00:30:00","slug":"sementes-tomate-seis-anos-espaco-alunos-plantaram","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jb.com.br\/editorias\/2026\/11\/02\/sementes-tomate-seis-anos-espaco-alunos-plantaram.html","title":{"rendered":"Sementes de tomate ficaram quase seis anos presas no espa\u00e7o, foram para a sala de aula e os alunos descobriram se algo mudou nelas"},"content":{"rendered":"<p>Cerca de <strong>12,5 milh\u00f5es de sementes de tomate<\/strong> lan\u00e7adas pela NASA em abril de 1984 ficaram quase seis anos em \u00f3rbita, voltaram em janeiro de 1990 e foram plantadas por 3,3 milh\u00f5es de estudantes. O resultado, segundo o relat\u00f3rio final da ag\u00eancia, foi que as sementes do espa\u00e7o quase n\u00e3o se diferenciaram das que ficaram na Terra: brotaram um pouco mais depressa no come\u00e7o e apresentaram poucas varia\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria come\u00e7a na manh\u00e3 de sexta-feira, 6 de abril de 1984, quando o \u00f4nibus espacial Challenger decolou da Fl\u00f3rida \u00e0s 8h58 (hor\u00e1rio da costa leste dos Estados Unidos). No compartimento de carga ia um sat\u00e9lite com jeito de cilindro gigante, de cerca de 4,3 metros por 9,1 metros e quase 10 toneladas. Dentro dele, entre dezenas de experimentos, havia cinco latas de alum\u00ednio lacradas cheias de sementes de tomate.<\/p>\n<h2>Um sat\u00e9lite feito para ficar dez meses acabou passando quase seis anos l\u00e1 em cima<\/h2>\n<p>O sat\u00e9lite era a <strong>Long Duration Exposure Facility (LDEF)<\/strong> (plataforma de exposi\u00e7\u00e3o de longa dura\u00e7\u00e3o). Segundo a <a href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/history\/40-years-ago-sts-41c-the-solar-max-repair-mission\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">p\u00e1gina de hist\u00f3ria da NASA sobre a miss\u00e3o STS-41C<\/a>, ele levava 86 bandejas com materiais e estruturas, que somavam 57 experimentos de 194 pesquisadores dos Estados Unidos e de outros pa\u00edses. Foi a carga mais pesada e maior j\u00e1 levada por um \u00f4nibus espacial at\u00e9 ent\u00e3o.<\/p>\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1200\" height=\"900\" src=\"https:\/\/www.jb.com.br\/editorias\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/j43-corpo.jpg\" alt=\"Professor abre envelope de sementes de tomate do espa\u00e7o ao lado de envelope de sementes guardadas na Terra\" class=\"wp-image-1363\" srcset=\"https:\/\/www.jb.com.br\/editorias\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/j43-corpo.jpg 1200w, https:\/\/www.jb.com.br\/editorias\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/j43-corpo-300x225.jpg 300w, https:\/\/www.jb.com.br\/editorias\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/j43-corpo-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/www.jb.com.br\/editorias\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/j43-corpo-768x576.jpg 768w, https:\/\/www.jb.com.br\/editorias\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/j43-corpo-750x563.jpg 750w, https:\/\/www.jb.com.br\/editorias\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/j43-corpo-1140x855.jpg 1140w\" sizes=\"auto, (max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Professor abre envelope de sementes de tomate do espa\u00e7o ao lado de envelope de sementes guardadas na Terra. Imagem gerada por IA.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n<p>A ideia era buscar o sat\u00e9lite depois de nove ou dez meses. N\u00e3o deu. Atrasos no programa empurraram a coleta primeiro de 1985 para 1986, e ent\u00e3o veio o acidente com o Challenger, que paralisou os voos. Conforme o <a href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/centers-and-facilities\/johnson\/35-years-ago-sts-32-returns-the-long-duration-exposure-facility\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Centro Espacial Johnson, da NASA<\/a>, a miss\u00e3o STS-32 s\u00f3 decolou com o \u00f4nibus Columbia na ter\u00e7a-feira, 9 de janeiro de 1990. O tempo apertava: os especialistas calculavam que, por causa do decaimento da \u00f3rbita, o sat\u00e9lite cairia na atmosfera at\u00e9 mar\u00e7o daquele ano.<\/p>\n<p>A tripula\u00e7\u00e3o capturou a LDEF com o bra\u00e7o rob\u00f3tico no quarto dia de voo e a trouxe de volta. As sementes, que deveriam passar menos de um ano no espa\u00e7o, tinham ficado l\u00e1 por quase seis.<\/p>\n<h2>Os alunos receberam sementes do espa\u00e7o e sementes que ficaram na Terra<\/h2>\n<p>O experimento tinha nome de projeto escolar: <strong>Space Exposed Experiment Developed for Students (SEEDS)<\/strong>, que em ingl\u00eas forma a palavra &#8220;sementes&#8221;. Era uma parceria da sede da NASA, do Centro de Pesquisa Langley e da empresa de sementes George W. Park Seed Company. A variedade escolhida foi a <strong>Rutgers California Supreme<\/strong>, um tomate considerado geneticamente est\u00e1vel.<\/p>\n<p>Enquanto metade da hist\u00f3ria girava em torno da Terra, a outra metade ficava guardada num armaz\u00e9m da empresa: um lote de controle, do mesmo tipo, mantido em solo. Quando o sat\u00e9lite voltou, as duas vers\u00f5es foram montadas em kits e enviadas a escolas. Pelo <a href=\"https:\/\/ntrs.nasa.gov\/api\/citations\/19930020513\/downloads\/19930020513.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">relat\u00f3rio final do SEEDS<\/a>, assinado pela educadora Doris K. Grigsby, do programa educacional aeroespacial da NASA:<\/p>\n<ul>\n<li>mais de <strong>132 mil kits<\/strong> foram para todos os estados americanos e para 30 outros pa\u00edses;<\/li>\n<li>participaram cerca de 64 mil professores, 40 mil salas de aula e 3,3 milh\u00f5es de estudantes, da pr\u00e9-escola \u00e0 universidade;<\/li>\n<li>77% dos dados devolvidos vieram de turmas da pr\u00e9-escola ao 9\u00ba ano, 20% do ensino m\u00e9dio e 3% do ensino superior.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Os estudantes plantavam os dois grupos lado a lado, mediam germina\u00e7\u00e3o, crescimento e frutos, e mandavam os n\u00fameros de volta para a NASA. N\u00e3o era uma simula\u00e7\u00e3o: os dados das turmas formaram a base da an\u00e1lise publicada.<\/p>\n<h2>O resultado: quase nenhuma diferen\u00e7a, com algumas curiosidades<\/h2>\n<p>A conclus\u00e3o principal do relat\u00f3rio \u00e9 que os alunos encontraram muito pouca diferen\u00e7a entre os dois grupos. As taxas de germina\u00e7\u00e3o e de produ\u00e7\u00e3o de frutos ficaram parecidas. A an\u00e1lise geral indicou que as sementes do espa\u00e7o germinaram num ritmo um pouco mais r\u00e1pido, mas a vantagem inicial das plantas come\u00e7ou a se nivelar depois de cerca de quatro semanas.<\/p>\n<p>A radia\u00e7\u00e3o foi medida: a camada de sementes mais pr\u00f3xima do lado de fora do sat\u00e9lite recebeu cerca de <strong>725 rads<\/strong>, e a mais protegida, cerca de 350 rads. Mesmo assim, como a variedade era est\u00e1vel, as muta\u00e7\u00f5es foram poucas. Entre as varia\u00e7\u00f5es relatadas pelas turmas est\u00e3o plantas atrofiadas, uma folha nascendo no lugar de uma flor e mudas albinas a partir das sementes de um fruto.<\/p>\n<p>Algumas observa\u00e7\u00f5es escolares chamaram aten\u00e7\u00e3o. Testes de cromatografia feitos pelos alunos indicaram mais clorofila e caroteno nas plantas vindas do espa\u00e7o, e uma equipe levantou a hip\u00f3tese de que isso explicaria o crescimento mais r\u00e1pido no in\u00edcio. Tamb\u00e9m houve relatos de que as plantas do grupo da Terra foram mais comidas por animais. J\u00e1 o pH dos frutos n\u00e3o mudou entre os grupos.<\/p>\n<h2>Por que um experimento escolar com tomates ainda importa<\/h2>\n<p>A pergunta por tr\u00e1s do SEEDS era pr\u00e1tica: sementes aguentam ficar muito tempo no espa\u00e7o? Pelo relat\u00f3rio, os estudantes conclu\u00edram que o espa\u00e7o pode ser um lugar seguro para guardar por longo prazo sementes de plantas amea\u00e7adas e de culturas alimentares. \u00c9 um tema que voltou a interessar com as miss\u00f5es longas, em que levar comida e sementes vi\u00e1veis faz diferen\u00e7a.<\/p>\n<p>A parceria n\u00e3o parou ali. A <a href=\"https:\/\/www.parkseed.com\/blogs\/park-seed-blog\/seeds-in-space\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Park Seed<\/a> conta que voltou a mandar sementes de tomate ao espa\u00e7o em 1997 e que, em 2006, enviou 1 milh\u00e3o de sementes de manjeric\u00e3o para a Esta\u00e7\u00e3o Espacial Internacional. Segundo a empresa, o tomate Rutgers California Supreme nem \u00e9 mais vendido.<\/p>\n<p>Quase metade dos participantes que responderam ao relat\u00f3rio disse que pretendia continuar com estudos da segunda gera\u00e7\u00e3o, plantando as sementes dos tomates nascidos das sementes espaciais. Para quem quiser repetir a experi\u00eancia com uma turma ou com os filhos, a l\u00f3gica do SEEDS continua simples: dois grupos de sementes iguais, plantados nas mesmas condi\u00e7\u00f5es, e anota\u00e7\u00f5es cuidadosas sobre o que brota primeiro.<\/p>\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong> <a href=\"https:\/\/www.jb.com.br\/editorias\/2026\/10\/12\/quedas-idosos-prevencao-casa.html\">Quedas somaram 194 mil interna\u00e7\u00f5es de idosos no SUS em 2025, quase seis vezes mais que os acidentes de transporte: o que mudar em casa, segundo o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade<\/a>; <a href=\"https:\/\/www.jb.com.br\/editorias\/2026\/10\/20\/mosquito-dengue-cheiro-pele-acidos-carboxilicos-100-vezes.html\">Por que o mosquito da dengue pica mais uma pessoa da casa do que as outras: cientistas descobriram que o cheiro da pele decide<\/a>.<\/p>\n\n<p>Informa\u00e7\u00f5es conferidas em 29 de outubro de 2026 nas fontes citadas.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sat\u00e9lite que deveria voltar em dez meses ficou quase seis anos em \u00f3rbita; depois, 3,3 milh\u00f5es de estudantes plantaram as sementes ao lado de um lote que ficou na Terra<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":1412,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jnews-multi-image_gallery":[],"jnews_single_post":{"format":"standard","subtitle":"Sat\u00e9lite que deveria voltar em dez meses ficou quase seis anos em \u00f3rbita; depois, 3,3 milh\u00f5es de estudantes plantaram as sementes ao lado de um lote que ficou na Terra"},"jnews_primary_category":[],"jnews_social_meta":[],"jnews_override_counter":[],"footnotes":""},"categories":[263],"tags":[840,839,451,838],"class_list":["post-1189","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-curiosidades","tag-curiosidades-da-ciencia","tag-experimento-seeds","tag-nasa","tag-sementes-de-tomate-no-espaco"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v25.0 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>Sementes de tomate ficaram quase seis anos presas no espa\u00e7o, foram para a sala de aula e os alunos descobriram se algo mudou nelas - Jornal do Brasil<\/title>\n<meta name=\"description\" content=\"Em 1984, 12,5 milh\u00f5es de sementes de tomate foram ao espa\u00e7o e voltaram em 1990. 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