IPCA ronda meta de inflação

Várias capitais do país já têm taxa acima de 5%. No Rio, alta chega a 4,78% em 12 meses

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede as despesas das famílias que ganham até 40 salários mínimos (R$ 19.080), desacelerou fortemente em julho, para 0,33%, revelou ontem o IBGE, após alta de 1,26% em julho e 0,40% em maio, indicando que o impacto da greve dos caminhoneiros, em maio e junho, está se dissipando. Exemplos disso foram a queda de 0,03% nos preços de alimentação e de vestuário. A alimentação em domicílio baixou ainda mais (-0,59%). 

Mas o índice mensal surpreendeu o mercado (que esperava em média 0,26%, o Itaú, que previa 0,25%, e o Bradesco, que estimava 0,27%). O susto maior foi que a taxa em 12 meses chegou a 4,48%, no maior nível em 12 meses desde os 4,57% de março de 2017, muito próxima do centro da meta de inflação do Banco Central, de 4,50%. Para que a meta não seja superada a inflação acumulada de agosto a dezembro não pode superar 1,50%. 

É que a taxa acumulada no mesmo período de 2017 foi de 1,4985%. O Itaú está apostando que o IPCA de agosto vai cair para 0,03%. Como a taxa foi de 0,19% em agosto do ano passado, o índice cairia para 4,32%. Confirmando a previsão do IBGE de que a inflação está com viés de baixa. Mas tanto o Itaú como o Bradesco, e o próprio IBGE, veem com preocupação o impacto da aplicação da bandeira vermelha nas contas de luz até o fim do ano. 

Ontem mesmo o Operador Nacional do Sistema (ONS) previu que, diante do baixo nível dos reservatórios das usinas hidrelétricas do Sudeste, Nordeste e Centro-Oeste, a bandeira vermelha pode ser adotada até novembro. Para se avaliar o impacto da bandeira vermelha, vale lembrar que a maior contribuição de alta do IPCA de julho veio do grupo habitação (0,24 p.p.) – pressionado novamente pela energia elétrica, que subiu 5,3% –, seguido pelo grupo transportes (0,09 p.p.). O Bradesco segue apostando que a inflação fecha o ano na faixa de 4,11% a 4,15%. Mas ressalva que se a Bandeira Vermelha ficar na faixa 1 até o fim do ano acrescenta 0,14 pontos percentuais na taxa de inflação (4,25% a 4,29%); ou se ficar na Bandeira 2, saltaria para (4,29% a 4,43%). 

Ou seja, já não há, depois da greve dos caminhoneiros, cenário tão confortável. Isto não quer dizer que o Banco Central tenha de elevar os juros, dos atuais 6,50%, pois a indústria e o comércio operam com alta ociosidade e o desemprego segue elevadíssimo, sem ceder.

Inflação de 5% em SP

Decompondo os números do IPCA, pesquisado pelo IBGE em 16 capitais, nota-se que em sete delas o índice em 12 meses já está acima do centro da meta, de 4,50%. A maior taxa acumulada foi registrada em Porto Alegre (5,15%), seguida pelos 5,03% de São Paulo e os 4,78% do Rio de Janeiro. Goiânia acumula 4,74%, Belo Horizonte 4,58% e Curitiba, 4,52%. A menor inflação é de Aracaju (SE), com 1,63%, seguida de Rio Branco (AC), com 1,69%.

Muitos itens continuam apresentando reajustes acumulados muito acima da inflação. Caso, em julho, da Energia elétrica, que acumula 18,02, com variações máximas de 30,40% em Porto Alegre e mínima de 9,93% em Fortaleza, que ainda não passou pela rodada de reajuste anual. Nos últimos 12 meses a gasolina acumula alta de 28,35%, o Etanol sobe 15,06% e os Planos de Saúde subiram 12,67%.  

Quanto ao Índice Nacional dos Preços ao Consumidor, que mede a inflação para as faixas de renda até cinco salários mínimos (R$ 4.770), houve também forte redução, dos 1,43% em junho para -0,25%. Mas a taxa em 12 meses subiu de 3,53% para 3,61%. Também no INPC, Porto Alegre acumula a maior alta em 12 meses, 4,98%, seguido pelos 4,49% de São Paulo.