Bolsas da Europa encerram sem direção única, com Itália, EUA e China no radar

Os mercados acionários da Europa fecharam sem direção única na sessão desta quarta-feira, 8, com a maioria dos principais índices em queda, à medida que investidores monitoram a escalada das tensões comerciais entre Estados Unidos e China e a questão orçamentária na Itália. O índice Stoxx-600 fechou o dia de negociações com recuo de 0,20%, aos 389,69 pontos.

Após o fechamento de terça-feira, 7, na Europa, o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) anunciou que, a partir de 23 de agosto, passam a vigorar tarifas adicionais de 25% sobre US$ 16 bilhões em importações da China. Em resposta, o Ministério do Comércio chinês afirmou nesta quarta que vai impor tarifas retaliatórias também de 25% sobre US$ 16 bilhões em produtos dos Estados Unidos.

O cenário de instabilidade pressionou a maior parte dos mercados europeus. O índice DAX, da bolsa de Frankfurt, fechou em queda de 0,12%, aos 12.633,54 pontos, enquanto o índice CAC 40 em Paris perdeu 0,35%, aos 5.501,90 pontos. Em Madri, o índice Ibex 35 fechou em baixa de 0,26%, aos 9.747,10 pontos. Em Lisboa, por outro lado, houve avanço de 0,09% do índice PSI 20, aos 5.636,26 pontos.

Na Itália, no entanto, os mercados ainda digerem a aprovação na terça-feira de um projeto de reforma trabalhista elaborado pelo antiestablishment Movimento 5 Estrelas, cujo objetivo é reprimir empregos temporários e práticas trabalhistas precárias.

Além disso, o foco se voltou à questão orçamentária. O primeiro-ministro italiano, Giuseppe Conte, disse que o orçamento do próximo ano fiscal contará com reformas estruturais, que "alavancarão o crescimento econômico e desenvolvimento social", e que será "sério, rigoroso e corajoso". Para analistas do Morgan Stanley, no entanto, "a reunião do orçamento desta quarta deve apoiar ainda mais uma postura fiscal mais expansionista". Em Milão, o índice FTSE MIB fechou em queda de 0,29%, aos 21.790,30 pontos. As ações dos dois principais bancos do país caíram: o papel do Intesa Sanpaolo teve recuo de 1,21%, enquanto o do UniCredit fechou em baixa de 0,35%.

Em território britânico, o índice FTSE 100, de Londres, fechou a sessão com avanço de 0,75%, aos 7.776,65 pontos, ajudado pelo recuo da libra ante o dólar, que atinge o menor nível desde junho de 2017, o que favorece as empresas exportadoras.