Ministério da Agricultura prevê redução no consumo e no cultivo de itens básicos

Os níveis de consumo de arroz e de feijão no Brasil estão estáveis há 20 anos e assim devem continuar pelos próximos dez anos, segundo o relatório Projeções do Agronegócio - 2017/18 a 2027/28, divulgado essa semana pelo Ministério da Agricultura. A população, ao contrário, cresceu substancialmente no período. No início dos anos 2000, havia cerca de 166,1 milhões de brasileiros. Hoje, as estimativas do IBGE falam em mais de 208,6 milhões. A conclusão é uma queda contínua no consumo per capita dos itens mais básicos da cesta básica brasileira. 

O consumo de arroz deve se manter próximo a 12 milhões de toneladas por ano. Em dez anos, serão 12,2 milhões de toneladas, pouco acima do previsto para 2018 (12 milhões t). Já a quantidade de feijão não vai descolar da faixa histórica de 3 milhões de toneladas. Em 2028, segundo o relatório, serão 3,27 milhões de toneladas consumidas, quantidade menor que a prevista para 2018 (3,3).

Segundo José Gasques, coordenador da pesquisa, a diminuição do consumo per capita tem a ver com o aumento do poder aquisitivo da população, que passa a incorporar outros tipos de alimentos, que vão desde proteína animal — sobretudo  o frango, mais barato —, mas também verduras e legumes. “O preço da verdura muda muito em função da sazonalidade, mas, quando a renda melhora, o consumidor tende a comprar mesmo assim”, explica. Gasques lembra ainda que os hábitos de consumo também são afetados pela rotina. “Pessoas ou casais que saem para trabalhar tendem a comer menos feijão, por se tratar de um alimento de preparo mais demorado”, explica.

Uma das conclusões do estudo é que as áreas de arroz e do feijão diminuirão nos próximos dez anos para dar lugar à lavoura de soja e milho. Apesar disso, as quantidades estão garantidas pelo aumento de  produtividade, principal vetor de crescimento da produção de grãos no longo prazo. “Algumas plantações de feijão no Nordeste já contam com tecnologias de irrigação dignas da soja” diz Gasques.

As projeções para 2028 são de uma safra de grãos de 301,8 milhões de toneladas, 29,8% maior que a safra atual (232,6). A taxa de crescimento estimada seria de 2,5% ao ano. Já a área de grãos deve aumentar 14,9% passando dos atuais 61,5 milhões de hectares para 70,7 milhões em 2028. Aí, o acréscimo seria de 1,4% a cada ano.

Esse aumento, porém, privilegia as culturas de soja, milho e trigo, com destaque para os dois primeiros. A projeção de soja em grão para 2028 é de 155,9 milhões de toneladas, número 33,2% superior à previsão desse ano (117,0). A variação  é inferior ao crescimento do setor nos últimos 10 anos no Brasil, que foi de 106,5%, segundo o Conab. De toda forma, a área de soja deve aumentar 28,4%, chegando a 45,1 milhões de hectares. É a lavoura que mais crescerá, seguida da cana-de-açúcar com cerca de 1,6 milhão de hectares adicionais. 

Já a área de milho deve aumentar de 6,2% em 10 anos, alcançando 17,7 milhões no final do período das projeções. Em muitos casos, explica, Gasques, o milho crescerá na esteira da soja, movimento que privilegia o tipo de segunda safra, plantada após a colheita da soja e colhida a partir de julho.