Juros fecham em queda com maior apetite ao risco e alívio com quadro eleitoral

Os juros futuros de médio e longo prazo, mais sensíveis aos riscos do cenário internacional e eleitoral, fecharam a sessão desta sexta-feira, 3, em queda firme, enquanto as taxas curtas encerraram perto dos ajustes. As taxas renovaram mínimas à tarde, alinhadas à aceleração das perdas do dólar ante o real, mas motivadas pelos mesmos fatores que já embalavam a redução de prêmios pela manhã.

No exterior, o relatório de emprego norte-americano mostrou criação de vagas em ritmo abaixo do esperado em julho. Internamente, o fato de a senadora Ana Amélia (PP-RS) ter aceitado o convite para ser vice na chapa de Geraldo Alckmin (PSDB) e sinais de enfraquecimento das candidaturas de esquerda trouxeram otimismo ao investidor.

A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2019 fechou em 6,610%, de 6,622% no ajuste da quinta-feira, 2, e a do DI para janeiro de 2020 passou de 7,88% para 7,89%. A taxa do DI para janeiro de 2021 caiu de 8,89% para 8,85% e a do DI para janeiro de 2023, de 10,395 para 10,24%. A taxa do DI para janeiro de 2025 fechou em 10,88%, de 11,06%.

Às 16h44, o dólar à vista caía 1,43%, aos R$ 3,7050. A moeda está em movimento global de queda, na medida em que os dados do mercado de trabalho norte-americano reduzem o risco de o aperto monetário pelo Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) não ser gradual.

Os Estados Unidos criaram 157 mil empregos em julho, abaixo do piso das estimativas de analistas ouvidos pelo Broadcast (serviço de notícias em tempo real do Grupo Estado), de 175 mil postos.

A taxa de desemprego caiu de 4,0% para 3,9%, em linha com o esperado, mas o crescimento do salário médio por hora, de 0,26%, superou levemente a projeção de alta de 0,20%. Além de enfraquecer o dólar, os dados ajudam a derrubar o rendimento dos Treasuries. Às 16h24, o yield da T-Note de dez anos estava em 2,956%, de 2,982% no fim da tarde de quinta-feira.

Na política, o mercado acredita que ter Ana Amélia como vice fortalece a chapa de Alckmin, na medida em que a senadora pode arregimentar votos na Região Sul, onde o ex-governador de São Paulo ainda precisa se consolidar.

Além disso, seu perfil mais conservador pode atrair eleitores de direita, mas que rejeitam alguns radicalismos do deputado Jair Bolsonaro (PSL). "Ela tem forte atuação contra o Partido dos Trabalhadores no Rio Grande do Sul e no plenário do Senado. Costuma esmiuçar discursos e declarações de seus colegas do PT, para, conforme ela mesma costuma dizer, 'pôr a verdade no seu devido lugar'", afirmou João Domingos, coordenador do serviço Análise Política, do Broadcast Político, serviço de notícias em tempo real do Grupo Estado.