No pós-Copom, exterior prevalece e juros futuros fecham com viés de alta

Os juros futuros fecharam a sessão regular desta quinta-feira, 2, entre a estabilidade e leve alta. As taxas acompanharam, desde cedo, o humor do exterior e o comportamento do mercado de moedas, tendo os fatores internos ficado em segundo plano, inclusive o resultado do Comitê de Política Monetária (Copom), que na quarta-feira, como esperado, manteve a Selic em 6,50% ao ano e não trouxe novidades em seu comunicado.

A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2019 fechou com taxa de 6,620%, de 6,622% na quarta-feira no ajuste, e a do DI para janeiro de 2020 passou de 7,86% para 7,89%. A taxa do DI para janeiro de 2021 fechou em 8,89%, de 8,88% na quarta-feira no ajuste, e a do DI para janeiro de 2023 encerrou a 10,39%, de 10,37%. A taxa do DI para janeiro de 2025 subiu de 11,03% para 11,06%.

Após subirem pela manhã, as taxas desaceleraram o avanço e iniciaram a etapa vespertina renovando mínimas, flertando com a estabilidade, na medida em que a moeda americana enfraquecia os ganhos em relação ao real. Perto das 16h30, a moeda no segmento à vista mostrava estabilidade, aos R$ 3,7598 (+0,02%), mas estava em alta no mercado futuro e ante as demais divisas de economias emergentes. O dólar para setembro era cotado em R$ 3,7720 (+0,27%).

O dólar tem valorização ante a maioria das moedas, com exceção do iene, refletindo receios com a escalada das tensões comerciais, após os Estados Unidos ameaçarem elevar de 10% para 25% a taxa de importação para US$ 200 bilhões em produtos chineses e o Federal Reserve ter mostrado otimismo em seu comunicado em relação à economia americana.

O quadro internacional acabou ocupando um espaço no mercado de juros que, em tese, seria da reação ao Copom. Mas os diretores apenas endossaram as expectativas do mercado. "O tom do comunicado foi neutro em relação ao de junho. Embora o Copom não tenha feito sinalização explícita sobre próximos passos da política monetária, a avaliação é de que o cenário prospectivo segue benigno e que, portanto, a Selic deve ficar estável por mais tempo", disse o estrategista-chefe do Banco Mizuho, Luciano Rostagno.