Indústria ganha fôlego

Setor cresceu 13,1% em julho, zerando perdas com os caminhoneiros; em 12 meses, expansão foi de 3,2%

A indústria brasileira zerou em junho as perdas da greve dos caminhoneiros de maio. Segundo o IBGE, a produção industrial cresceu 13,1% de maio para junho. Com o resultado, a indústria nacional recuperou a queda de 11% registrada em maio, devido à greve. O crescimento de 13,1% foi o maior para um mês desde o início da série histórica da pesquisa, em 2002.

Também foram observadas altas na comparação com junho de 2017 (3,5%), no acumulado do ano (2,3%) e em 12 meses (3,2%). Na média móvel trimestral, a produção cresceu 0,5%. Todas as categorias de uso tiveram avanços recordes na comparação com o mês anterior.  Comparado a 2012, antes da recessão, vários setores e a própria indústria de transformação ainda acumulam perdas. A indústria geral encolheu 8,5 pontos, enquanto as atividades extrativas (petróleo e mineração, principalmente) cresceram 4 pontos. A indústria de transformação ainda tem retração de 10,1 pontos. Automóveis lideram a queda, com 14,9 pontos. 

Produção por categoria

A produção da indústria de bens de capital subiu 25,6% em junho e 9,5% sobre junho de 2017. No ano, houve crescimento de 9,5% na produção de bens de capital. Em 12 meses, a alta foi de 9,5%. Nos bens de consumo, houve aumento de 19,8% em junho, puxado pela forte recuperação (47,1) da indústria automobilística. Frente a junho de 2017 a alta foi de 5,6%. Em 2018, a produção de bens de consumo subiu 3,5%, aumentando 4,4% em 12 meses.

Na categoria de bens de consumo duráveis, junho teve aumento de 34,4% ante maio. Em relação a junho de 2017, houve alta de 16,0%. Entre os semiduráveis e os não duráveis, houve alta na produção de 15,7% em junho  e de 3,2% em relação a junho de 2017. Para os bens intermediários, o IBGE informou que a produção aumentou 7,4% em junho e de 1,8¨% sobre junho de 2017. No ano, os bens intermediários, mais ligados às exportações, subiram só 0,9%. Em 12 meses +1,8%. 

Produção por segmento

A indústria registrou crescimento na produção em 22 das 26 atividades pesquisadas em junho, segundo o IBGE. Nove tiveram alta recorde na produção no período: alimentos, bebidas, vestuário, calçados, produtos de madeira, celulose, minerais não metálicos, móveis e máquinas e materiais elétricos. As principais influências positivas para a média global foram dos acentuados avanços de veículos automotores, reboques e carrocerias (47,1%) e produtos alimentícios (19,4%).

“Aqueles que recuaram em maio mostraram recuperação. Então, a retomada da produção para o ritmo normal levaria a um maior ritmo para esses setores e para o total da indústria”, explicou André Macedo, gerente da Coordenação de Indústria do IBGE. Outros avanços em junho: bebidas (33,6%), minerais não metálicos (20,8%), papel e celulose (17,9%), produtos de borracha e de material plástico (12,5%), máquinas, aparelhos e materiais elétricos (14,6%), produtos de metal (11,1%), móveis (28,5%), perfumaria, sabões, produtos de limpeza e de higiene pessoal (19,0%), confecção de artigos do vestuário e acessórios (13,5%), máquinas e equipamentos (5,6%), couro, artigos para viagem e calçados (14,5%), produtos de madeira (17,6%), equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (7,1%) e metalurgia (2,5%).