Bolsas da Europa fecham em queda com aumento de tensão comercial e decisão do BoE

Os mercados acionários europeus fecharam a sessão desta quinta-feira, 2, em queda, em meio a preocupações com a escalada das tensões comerciais entre Estados Unidos e China, e após a decisão de política monetária do Banco da Inglaterra (BoE, na sigla em inglês), que elevou a taxa de juros de 0,50% a 0,75% ao ano. Nesse cenário, o índice Stoxx-600 fechou em queda de 0,82%, aos 386,65 pontos.

O governo da China apelou nesta quinta para que os EUA "corrijam sua atitude", após a ameaça americana de impor uma tarifa de 25%, mais alta do que o antes mencionado, sobre US$ 200 bilhões em produtos chineses. A resposta do porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Geng Shuang, veio após o representante comercial americano, Robert Lighthizer, apontar que o presidente dos EUA, Donald Trump, havia pedido que uma tarifa maior fosse avaliada.

Durante a manhã, o secretário de Comércio dos EUA, Wilbur Ross, afirmou em entrevista que Trump avalia que "potencialmente é a hora de elevar a pressão sobre a China" no comércio. Nesse sentido, houve busca por ativos defensivos e fuga das ações, consideradas menos seguras.

No Reino Unido, a decisão do BoE também pressionou as bolsas. Por decisão unânime, o banco central inglês decidiu aumentar a taxa de juros de 0,50% para 0,75% ao ano, a maior desde 2009, e reiterou o gradualismo monetário como forma adequada para levar a inflação à meta de 2%.

No entanto, durante coletiva de imprensa, o presidente da instituição, Mark Carney, desenhou um cenário de incertezas em relação ao Brexit e apontou que a tensão comercial é uma das razões para explicar o crescimento global um pouco mais fraco.

No âmbito das incertezas pintadas por Carney, o índice FTSE-100, da Bolsa de Londres, fechou em queda de 1,01%, aos 7.575,93 pontos. Para o analista pesquisa econômica e política do JPMorgan em Londres, Allan Monks, no entanto, o processo de saída do Reino Unido da União Europeia, ainda sem acordo, mascarou o tom "hawkish" da decisão do BoE.

Ainda em território inglês, o britânico Barclays apresentou resultados positivos, revertendo o prejuízo da primeira metade de 2017 com lucro de 468 milhões de libras no mesmo período deste ano. Mesmo assim, a ação fechou em queda 2,9%.

Em meio às tensões comerciais e à decisão do BoE, também foi divulgado que a inflação no atacado na zona do euro, medida pelo índice de preços ao produtor (PPI, na sigla em inglês), teve alta de 0,4% na passagem de maio para junho, avanço maior do que a previsão de 0,3%. Na comparação anual, o PPI subiu 3,6% ante expectativa de 3,5%.

Em Milão, o índice FTSE-MIB recuou 1,73%, aos 21.414,72 pontos, depois de tocar o menor nível em um mês no intraday. Já na capital francesa, o índice CAC-40 fechou em baixa de 0,68%, aos 12.546,33 pontos, com destaque para a queda de 2,25% do papel do banco Société Générale, apesar do avanço nos lucros registrados no período entre abril e junho, na comparação anual.

Na Alemanha, o índice DAX, de Frankfurt, teve queda de 1,50%, aos 12.546,33 pontos. A ação da Siemens recuou 4,79%, após a divulgação de balanço que não empolgou investidores. Nos ibéricos, o índice Ibex-35, de Madri, fechou em queda de 1,03%, aos 9.698,20 pontos, ao passo que Lisboa perdeu 0,46%, aos 5.611,57 pontos.