Apple passa a ser avaliada em US$ 1 trilhão, puxa techs e impulsiona Nasdaq

Após bater na trave na quarta-feira, 1, a Apple superou a marca de US$ 1 trilhão em valor de mercado e trouxe de volta o otimismo dos investidores em torno das empresas de tecnologia. O cenário positivo para a companhia e indicadores que apontam para a força da economia dos Estados Unidos deixaram as tensões com o comércio global em segundo plano e fizeram com que o Nasdaq voltasse à marca dos 7,8 mil pontos.

O indicador da Bolsa Nasdaq encerrou o pregão em alta de 1,24%, aos 7.802,69 pontos, enquanto o S&P 500 fechou em alta de 0,49%, aos 2.827,22 pontos. O Dow Jones, por sua vez, destoou dos demais, e recuou 0,03%, aos 25.326,16 pontos.

"Wall Street ama o MAGA. Isso não se refere apenas à agenda de redução de impostos, desregulamentação e ao plano impulsionador dos mercados do programa Make America Great Again (Faça a América Grande Novamente) da Casa Branca de Trump. Há outro MAGA causando palpitações no mercado de ações. Ele descreve o grupo mais restrito de giant techs, que lidera o mercado: Microsoft, Apple, Google e Amazon", comentou o editor Richard Waters, do Financial Times.

Para o economista David Pinsen, o MAGA substitui o grupo FAANG, que compreende Facebook, Amazon, Apple, Netflix e Google, e que dominou as atenções até o início da atual safra de balanços. O sentimento dos agentes do mercado com o MAGA se fez ainda mais presente nesta quinta-feira, 2, após a Apple ter se tornado a primeira empresa americana a atingir a marca de US$ 1 trilhão em valor de mercado. Somente este ano, o papel da fabricante de iPhones apresentou valorização de 22,5% e, no dia de hoje, a ação da empresa subiu 2,92%, a US$ 207,39.

"Nós ouvimos várias vezes, desde que Steve Jobs morreu, que a empresa iria escorregar e cair, mas eles continuam a executar bem", disse o fundador da Florence Capital Advisors, Greg Hersch. Ao longo do caminho até atingir US$ 1 trilhão, a Apple liderou o boom das empresas de tecnologia. Juntas, Apple, Amazon, Google, Microsoft e Facebook representam quase 15% do valor total do S&P 500, de acordo com a Ned Davis Research.

Na avaliação dos analistas da consultoria D.M. Martins Research, parte dos ventos que soprarão a favor da Apple veio do forte desempenho da economia dos EUA. Na semana passada, o Departamento do Comércio americano divulgou que o Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre cresceu à taxa anualizada de 4,1% na comparação com os três primeiros meses do ano.

"Goldilocks voltou!", comemorou o economista-chefe do Natixis para EUA, Joseph LaVorgna, referindo-se a um cenário no qual a economia cresce a um ritmo moderado e sem pressões inflacionárias muito fortes. "A economia dos EUA cresceu mais de 3% no primeiro semestre deste ano, e os primeiros sinais para o atual trimestre apontam para uma continuação desse crescimento", disse LaVorgna. Além disso, a inflação continua ligeiramente abaixo da meta de 2% estabelecida pelo Federal Reserve (Fed, o banco central americano), tendo em vista que a medida favorita de preços da instituição avançou 1,9% na comparação anual de maio e de junho.

Nesta quinta-feira, novos indicadores atestaram a robustez da economia americana: o índice de condições empresariais de Nova York contrariou as projeções e subiu para 75,0 em julho, enquanto os pedidos de auxílio-desemprego cresceram 1 mil na semana passada, para 218 mil, abaixo da previsão de 220 mil. Dado esse cenário, o Fed já prometeu que continuará elevando as taxas de juros de forma gradual, o que poderia pesar nos preços das ações das techs.

Mesmo assim, estrategistas do Goldman Sachs já apontaram que "os mercados acionários serão capazes de digerir os aumentos nos juros pelo Fed. Esperamos que as ações se recuperem enquanto as vendas de títulos públicos se intensificam".

Com a forte valorização da Apple e o cenário pujante na economia dos EUA, as giant techs voltaram aos bons ventos vistos antes da temporada de balanços. O subíndice de tecnologia do S&P 500 fechou em alta de 1,37%, aos 1.272,68 pontos, e liderou os ganhos nesta quinta-feira. Amazon (+2,07%), Microsoft (+1,21%) e Alphabet, a controladora do Google (+0,66%) foram algumas das ações que subiram na esteira do avanço da Apple.

O índice Dow Jones, no entanto, destoou dos demais, ainda reagindo às tensões comerciais entre EUA e China. A investida do governo de Donald Trump para aumentar a tarifa sobre US$ 200 bilhões em produtos chineses de 10% para 25% fez com que o governo da China reagisse e pedisse por uma correção da atitude de Washington. O secretário de Comércio americano, Wilbur Ross, no entanto, afirmou que Trump avalia que "agora é potencialmente a hora de elevar a pressão sobre Pequim" no comércio.

"O tom de Washington pode ser mais um reflexo das táticas de negociação do governo Trump", apontaram os analistas da Continuum Economics. Para eles, ainda há uma lista de questões difíceis envolvendo os EUA que envolvem seus parceiros comerciais, como a resolução de disputas, o comércio de automóveis, o comércio agrícola, as cláusulas do pôr-do-sol do Nafta e a ameaça da escalada tarifária dos EUA quando outros países se recusam a adotar um maior comprometimento, "o que poderia resultar em sérias barreiras à resolução de disputas".