Dólar oscila com exterior, Centrão e nova Operação Zelotes no radar

O dólar à vista passou a cair, após começar a sessão desta quinta-feira, 26, em alta, enquanto o dólar futuro de agosto sobe. Os sinais mistos da moeda americana no exterior - alta frente moedas emergentes e queda diante de divisas principais - pesam na volatilidade do câmbio local.

Nos primeiros negócios, a queda acumulada pelo dólar de mais de 4% no mês no mercado doméstico também induziu demanda de importadores, tesourarias e investidores detentores de swap cambial novo vendido pelo Banco Central nos leilões extraordinários desde junho, disse o operador de uma corretora. Interessa a esses agentes comprados em swap novo a elevação do dólar.

Investidores estão monitorando ainda a décima fase da Operação Zelotes, aberta mais cedo, que investiga oito pessoas e duas empresas. A operação apura irregularidades cometidas junto ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf).

Segundo a Receita, a ação de hoje mira irregularidades em julgamento de processo fiscal de interesse de empresa siderúrgica, com sede na cidade de Santo André (SP). Desta vez, segundo nota da Receita, os prejuízos ao Poder Público superam R$ 400 milhões.

A Receita não revela na nota o nome da empresa investigada. Estão sendo cumpridos nove mandados de busca e apreensão em quatro estados e no Distrito Federal, alcançando endereços de sete pessoas físicas e duas empresas.

Os investidores estão na expectativa ainda pelo anúncio oficial do apoio do Centrão ao presidenciável Geraldo Alckmin (PSDB) e a definição do vice.

No exterior, em relação a divisas principais, o dólar acentuou a queda ante o iene mais cedo, chegando inclusive a renovar a mínima em relação à moeda japonesa, influenciado por relatos sobre as discussões que os dirigentes do Banco do Japão (BoJ) vão ter na próxima semana durante a reunião de política monetária.

De acordo com a agência Nikkei, a instituição vai debater a alocação de ETFs, com o objetivo de suprimir a influência excessiva na formação de preços de ações individuais e, por consequência, diminuir o valor de compra do ETF do índice Nikkei, da Bolsa de Tóquio.

No Twitter, operadores relataram o temor com a possibilidade de discussão de algum aperto monetário pela instituição, como já vem sendo discutido nos últimos dias.

Mais cedo, o euro não teve reação significativa, após a decisão de juros do Banco Central Europeu (BCE). A instituição reiterou que os juros permanecerão nos níveis atuais pelo menos até o verão europeu de 2019 e que as compras de ativos serão reduzidas a partir de outubro, com término em dezembro.

A novidade foi que o BCE informou que manterá sua política de reinvestimento por período prolongado após término das compras de ativos. Durante a entrevista do presidente da instituição, Mario Draghi, o euro ensaiava alta, após tocar em mínima, reagindo a declarações dele de que "ainda são necessários estímulos significativos para apoiar inflação e que estamos prontos a ajustar instrumentos, se preciso, para atingir meta de inflação".

Os dados norte-americanos divulgados mais cedo não mexeram com o dólar. As encomendas de bens duráveis subiram 1,0% em junho ante maio; previsão +3,0% e os pedidos de auxílio-desemprego avançaram 9 mil na semana, a 217 mil; previsão 215 mil.

Às 9h33 desta quinta-feira, o dólar à vista voltava a mostrar viés de alta, a R$ 3,7046 (+0,02%). Na mínima caiu a R$ 3,7006 e, na máxima,subiu a R$ 3,7156. Já o dólar futuro de agosto subia 0,41%, aos R$ 3,7060.