Juros futuros fecham em alta com realização moderada de lucros

Os juros futuros encerraram em alta a sessão regular desta segunda-feira, 23, corrigindo parte da queda vista na sexta-feira, em meio à pressão do dólar, que pela manhã chegou a tocar novamente no patamar dos R$ 3,80, mas passou a tarde já abaixo desse nível. O volume de contratos negociados, contudo, ficou abaixo do padrão, sugerindo que o movimento de realização de lucros foi contido.

Um bom exemplo é o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2021. Normalmente um dos mais líquidos, este DI hoje movimentou 101 mil contratos, ante 229 mil na sexta-feira. Fechou com taxa de 9,11%, de 9,07% no ajuste de sexta-feira. A taxa do DI para janeiro de 2020 encerrou na máxima de 8,14%, de 8,06% no ajuste anterior.

"Vejo hoje mais um movimento técnico, pois, em princípio, os fundamentos ainda apontam para um cenário tranquilo de inflação e atividade fraca", afirmou o economista-chefe do DMIGroup, Daniel Xavier, citando a agenda do dia, que trouxe o IPC-S da terceira quadrissemana de julho, de 0,38%, ante 0,67% na leitura anterior, e ajustes para baixo nas medianas de inflação da pesquisa Focus - a expectativa para o IPCA de 2018 caiu de 4,15% para 4,11%.

No câmbio, a influência de alta ante o real vem do exterior, onde a maioria das divisas de economias emergentes está em queda. O dólar subia 0,16% no segmento à vista, aos R$ 3,7829.

O dólar também se aprecia ante as chamadas moedas fortes, amparado na trajetória dos Treasuries. O mercado de títulos global é destaque nesta segunda-feira, a partir do forte desempenho dos bônus do governo japonês (JGBs, na sigla em inglês), em meio a especulações quanto a um possível ajuste no programa de compra de ativos do Banco do Japão (BoJ, na sigla em inglês). O movimento desencadeou uma onda vendedora de títulos em solo europeu e nos Estados Unidos em meio à avaliação de que outros grandes bancos centrais devem continuar apostando em políticas graduais de aperto monetário. Há pouco, os juros dos Treasuries batiam máximas. A taxa da T-Note de dez anos projetava 2,965%, após tocar 2,968%.