Dólar tem dia de ajustes e fecha com alta de 0,16%

Em um início de semana de noticiário escasso no cenário doméstico, o dólar seguiu a tendência do mercado externo e avançou levemente ante o real, em uma sessão marcada pelo volume de negócios reduzido. A moeda terminou o dia aos R$ 3,7829 no mercado à vista, com alta de 0,16%, depois de ter subido quase 2% no acumulado da última semana. Os negócios no mercado à vista somaram US$ 695,8 milhões.

Pela manhã, o "spot" chegou à máxima de R$ 3,8030 (+0,69%), refletindo uma nova onda de temores de atritos do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com outros países. Desta vez, Trump fez ameaças via Twitter ao presidente do Irã, Hassan Rouhani, em resposta a declarações deste último. No início deste ano, Trump retirou os EUA de um acordo que previa o controle do programa nuclear iraniano e ampliou as sanções contra o país.

Além disso, dúvidas quanto aos entendimentos do presidenciável Geraldo Alckmin (PSDB) com partidos do Centrão, favoreceram correções nas cotações, com investidores promovendo algumas recomposições de carteiras. No sábado, Alckmin se disse contrário à contribuição sindical, gerando um mal-estar ante o deputado Paulo Pereira da Silva (Solidariedade). Após um encontro de dirigentes partidários no domingo, Paulinho disse que o atrito estava resolvido. É esperado que o apoio dos partidos do Centrão a Alckmin seja oficializado na próxima quinta-feira.

A desaceleração do dólar aconteceu à tarde, principalmente na última hora de negociação, quando a moeda americana perdeu força rapidamente ante o peso mexicano. O enfraquecimento, ocorreu depois que Trump afirmou que está negociando algo "dramático" com o México sobre comércio. Trump não deu detalhes sobre tais negociações. Às 17h21, dólar tinha baixa de 0,67% ante a moeda do México. Também caía ante o rublo (-0,63%) e à lira turca (-1,13%). Por outro lado, avançava perante o rand (+0,53%), o dólar neozelandês (+0,40%) e o dólar australiano (+0,60%).

"O dólar se mostrou bem comportado hoje, com as cotações mais estabilizadas, uma vez que os investidores evitaram assumir posições mais expressivas em um dia de noticiário fraco. Mas essa estabilidade vai se desfazer a qualquer notícia neste momento de maior volatilidade", disse José Carlos Amado, operador da Spinelli Corretora, em referência à maior influência do noticiário político sobre os ativos.