Bolsas de NY fecham sem direção única e bancos se destacam com relatos sobre BoJ

Os mercados acionários americanos encerraram o pregão desta segunda-feira, 23, sem direção única, monitorando os desdobramentos da política monetária de economias avançadas em meio a especulações sobre o enxugamento de liquidez pelo Banco do Japão (BoJ, na sigla em inglês), em um sentimento que se refletiu nas praças europeias e nos Estados Unidos, dando amplo espaço à valorização de ações de bancos.

O índice Dow Jones fechou em baixa de 0,06%, aos 25.044,29 pontos; o S&P 500 subiu 0,18%, aos 2.806,98 pontos; e o Nasdaq apresentou avanço de 0,28%, aos 7.841,87 pontos.

Relatos de que o banco central japonês pode alterar suas políticas e apoiar uma meta um pouco mais alta para o retorno dos bônus do governo japonês (JGBs, na sigla em inglês) de dez anos fez com que os rendimentos dos JGBs e de títulos soberanos europeus e americanos apresentassem forte ganho. As perspectivas de menor flexibilização monetária proporcionou ganhos robustos para ações de bancos em economias avançadas. Em Nova York, o J.P.Morgan subiu 1,86%, o Wells Fargo avançou 2,82% e o Bank of America teve ganho de 2,06%.

Nos últimos dias, investidores acionários têm sido cautelosamente otimistas mesmo diante de fortes resultados de balanços e de dados econômicos majoritariamente positivo. Mais de 30% das empresas que compõem o S&P 500 devem divulgar os resultados nesta semana e investidores estarão atentos a sinais de que as tarifas estão afetando decisões corporativas. Analistas também examinam as divulgações de dados econômicos, como o Produto Interno Bruto (PIB).

Até agora, os lucros corporativos ficaram acima das expectativas, com 87% das empresas apresentando lucros acima do esperado e mais de dois terços superando as projeções de receita, de acordo com a FactSet. Os ganhos aumentaram 21% em relação ao mesmo período do ano anterior, o que marcaria a segunda maior taxa de crescimento desde o terceiro trimestre de 2010.

No fim de semana, os ministros de Finanças e presidentes de bancos centrais dos países do G-20 encerraram a reunião em Buenos Aires com pouco progresso na resolução de conflitos comerciais globais. O secretário do Tesouro dos EUA, Steven Mnuchin, disse que "é definitivamente uma possibilidade realista" que o presidente dos EUA, Donald Trump, cumpra a ameaça de impor tarifas sobre US$ 500 bilhões em produtos chineses. Na semana passada, o americano também reiterou a ameaça de tarifar veículos europeus, apesar da oposição de legisladores americanos e de montadoras.