Brasil é o 8º emergente mais vulnerável em ranking de macroeconomia

Em junho, o dólar subiu 3,88% diante do real, acumulando valorização de 16,99% no primeiro semestre. Visto do outro lado, a alta do dólar, que é um fenômeno mundial este ano, reforçado pelo aumento dos juros nos Estados Unidos que atrai capitais de todo o mundo para o mercado financeiro de Tio Sam, obriga os países emergentes de economia mais vulnerável a aumentar juros para evitar a fuga de capitais. No caso brasileiro, o real desvalorizou 14,52% este ano diante do dólar e interrompeu, em maio mais uma baixa na taxa Selic, o piso de juros no país, que ficou em 6,50% ao ano, em vez dos 6,25% esperados para16 de maio.

Comparados a outros momentos de turbulência na economia mundial, mesmo com o profundo fosso fiscal que se abriu após dois anos da maior recessão da história (2015 e 2016), quando o PIB encolheu quase 8%, o Brasil até que não está tão mal na fita, se comparado à vizinha Argentina. Em junho o dólar subiu 16,36% diante do peso e 52,41% foi a alta no ano (desvalorização de 34,38%), mais do que o dobro do nosso real.

A principal diferença entre Brasil e Argentina é o volume das reservas -US$ 380 bilhões no Brasil e menos de US$ 25 bilhões líquidos na Argentina, o que obrigou o país de Messi e Maradona a tomar US$ 50 bilhões do FMI em troca de duro programa de ajuste fiscal. Outra vantagem do Brasil é o saldo comercial acima de US$ 56 bilhões, como prevê o Banco Central. Já los hermanos têm tido déficits de US$ 5 bilhões. Embora quase sem dívidas em dólares, o problema mais grave do Brasil é a perda de credibilidade do governo Temer e os temores em relação aos líderes das pesquisas eleitorais. Como isso afeta o dólar e o balanço de pagamento? Dá para o país surfar com tranquilidade até as eleições de outubro, ou o BC terá de gastar dólares das reservas em operações de swap, para esfriar a especulação, que cresce nas viradas de mês, porque coincide com apostas nos mercados futuros? 

Foi pensando nisso que o economista Thomas Henrique Schreurs Pires, do Departamento Econômico do Bradesco elaborou dia 27 de junho, um ranking em que compara dados macroeconômicos do Brasil com um grupo de 26 países emergentes. O Brasil está em 8º lugar. O pior é a Venezuela, seguido da Argentina, Ucrânia, Vietnã, Turquia, Africa do Sul e Colômbia. O Brasil fica entre Colômbia e Indonésia. A política faz a diferença.

Fragilidade do país no ano de eleição 

Como o bolívar da Venezuela, há muito deixou de ter curso no mercado e as moedas da Ucrânia e Vietnã não têm liquidez e credibilidade, o real acabou ficando como a terceira moeda de país emergente mais sujeita a especulação, atrás da Argentina e da Turquia. O Banco Central da Argentina elevou os juros em maio para 40% ao ano. A Turquia subiu a taxa de de 16,50% para 17,75% ao ano em 7 de junho. E o Copom manteve o piso dos juros no Brasil (a Selic), em 6,50% ao ano. A África do Sul baixou em maio o juro de 6,75% para 6,50% ao ano. Na Rússia, a taxa subiu de 7,25% para 7,50% ao ano em março. Para Thomas Pires, do Bradesco a rápida e forte depreciação do real estão mais ligadas às incertezas fiscais que “levaram a um aumento no prêmio de risco: a dívida pública deve encerrar o ano em 75,2% do PIB” e o déficit nominal em 7%. A ociosidade da economia evita maior repasse na inflação. A solução de médio prazo segue dependente de reformas e da estabilização do ambiente global, adverte.