Setor público tem déficit de R$ 8,2 bi; juros de R$ 39,7 bi

O setor público consolidado teve déficit primário de R$ 8,2 bilhões em maio, informou ontem o Banco Central. Apesar do rombo de R$ 11, 1 bilhões em relação a abril, quando houve superavit de R$ 2,9 bilhões, o resultado foi melhor que previa o mercado (R$ 12,2 bilhões) e o déficit de R$ 30,736 bilhões de maio de 2017. O Itaú previa déficit de R$ 10 bilhões e viu avanços no resultado. Em 12 meses, o déficit primário diminuiu de 1,8% para 1,4% do PIB. O Governo Central teve déficit de R$ 11,1 bilhões, e os governos regionais e as estatais, saldos de R$ 2,2 bilhões e R$ 668 milhões.

De janeiro a maio o setor público acumulou déficit primário de R$ 933 milhões (0,03% do PIB). Boa parte deste déficit pode ser atribuído ao rombo de R$ 13,766 bilhões do Governo Central (0,50% do PIB). Em 12 meses até maio, o déficit primário consolidado do setor público foi de R$ 95,9 bilhões (1,44% do PIB). A meta de déficit primário para 2018 é de R$ 161,3 bilhões. 

A questão é que o déficit primário só compreende receitas menos despesas, excluindo os custos da dívida pública. E os juros nominais do setor público somaram R$ 39,7 bilhões em maio, frente a R$ 36,3 bilhões de maio de 2017. O aumento foi causado, em parte, pela perda de R$ 6,9 bilhões em swap cambial pelo BC, contra perda de R$ 614 milhões em maio de 2017. De janeiro a maio os juros somaram R$ 159,4 bilhões, menos R$ 15,6 bilhões frente a igual período de 2017, com a queda da Selic.  

Os valores pagos em juros são descomunais comparados ao déficit da previdência social, a maior causa do rombo do Governo Central. Em maio o rombo do INSS foi de R$ 15 bilhões. De janeiro a maio, o rombo do INSS foi de R$ 76,3 bilhões e os juros R$ 158,5 bilhões, acaba incorporado à rolagem da dívida com emissão de novos títulos públicos. Em 12 meses até maio a diferença foi ainda maior: o déficit da Previdência somou R$ 188,7 bilhões, mas os juros chegaram a R$ 384,3 bilhões (5,77% do PIB). Nos juros houve redução de R$ 46,6 bilhões frente aos R$ 430,9 bilhões em 12 meses até maio de 2017. No INSS queda de R$ 6,3 bilhões frente ao ano de 2017.

A dívida bruta do setor público atingiu em maio R$ 5.133,2 bilhões, o equivalente a 77% do PIB. Já a dívida líquida do setor público chegou a R$ 3.416,6 bilhões (51,3% do PIB) em maio. Só os custos da desvalorização do real no custo da dívida externa foram de R$ 130 bilhões. Para o Itaú, apesar dos resultados primários anuais ainda deficitários, “a devolução de R$ 130 bilhões do BNDES para o Tesouro, a melhora no crescimento econômico e a redução das taxas de juros reais, farão a dívida bruta apresentar um crescimento como proporção do PIB mais moderado em 2018”.