BC: PIB cai, inflação sobe

Greve dos caminhoneiros corta um ponto do PIB e pode elevar IPCA de junho a 1,06%

No Relatório Trimestral de Inflação divulgado ontem, o Banco Central reconhece que a greve dos caminhoneiros em maio contaminou parcialmente a inflação de maio, junho e agosto, mas não será capaz de estourar a meta de 4,5% fixada pelo Copom para o ano, embora a expectativa de variação do IPCA tenha aumentado de 3,6% para 4,2%. O impacto mais forte da paralisação da economia será no Produto Interno Bruto (PIB). O BC tinha previsto no RTI de março crescimento de 2,6% para o PIB (1% em 2017) e agora reduziu para apenas 1,6%.

Os números do Banco Central estão em linha com a revisão nas projeções feitas pelos principais bancos do país e pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Em relatório divulgado ontem, o Ipea reduziu de 3% para 1,7% a previsão de crescimento da economia este ano. Foi a maior revisão para baixo do PIB. O Itaú, que chegou a estimar, em abril de 2017, uma alta de 4% para a economia em 2018, baixou para 3,0% em abril deste ano e em maio revisou para 1,7%. O Santander chegou a prever alta de 3,2% para o PIB deste ano, mas após os eventos de maio, baixou a 2%. O Bradesco chegou a prever, no fim de 2017, alta de 2,8% para 2018, e reduziu para 1,5%.

Salto na inflação

O impacto nos preços parece ter sido o mais forte detectado pelo BC. Nas projeções de março, o IPCA iria oscilar até agosto na faixa de 0,20%. Em abril foi de 0,22%, mas já houve salto para 0,40% em maio e a previsão do BC é de que o IPCA de junho atinja 1,06% (há duas semanas o Bradesco previra 0,70% e o Itaú, 1,0%). O BC espera ainda 0,27% em julho e 0,20% em agosto. No trimestre junho-agosto, a previsão é de aumento de 1,54% no IPCA, mais do que o dobro dos 0,71% de março a maio. 

Assim, a taxa acumulada em 12 meses saltaria dos 2,86% em maio para 4,23% em agosto. Mesmo esperando normalidade a partir de agosto, o BC teve de revisar a meta da inflação de 2018 de 3,6% (RTI de março) para 4,2%. Embora maior que os 2,95% de 2017, uma taxa bem abaixo da meta de 4,5% do sistema de metas de inflação. Para 2019, seguiu em 3,9% e, para 2020, recuou  de 3,8% para 3,7%. 

Contas externas

Fechado com dados até 15 de junho, o RTI levou em conta um câmbio de R$ 3,70 para a formulação do cenário de referência (câmbio e juros constantes). O mercado espera R$ 3,65 para o fim de 2018 e R$ 3,60 para o fim de 2019. O impacto do dólar mais caro fez o BC cortar pela metade a previsão de déficit de transações correntes em 2018, de US$ 23,3 bilhões para US$ 11,5 bilhões. A conta de viagens internacionais teve queda de 13%  gastos de brasileiros no exterior, baixando o déficit de US$ 17,3 bilhões para US$ 15 bilhões. O rombo total previsto na conta de serviços caiu de US$ 38,1 bilhões para US$ 35,6 bilhões. Já a balança comercial teve o superávit revisado para cima, de US$ 56 bilhões para US$ 61 bilhões.

O BC também reduziu a expectativa de entrada de Investimento Direto no país (IDP) em 2018 caiu de US$ 80 bilhões para US$ 70 bilhões - uma redução de 12,5%. Se os números forem concretizados, será um dos melhores resultados na conta corrente.