Trump se mostra disposto a negociar comércio e dá tom otimista aos negócios em NY

Os mercados acionários americanos encerraram em alta o pregão desta quinta-feira, 28, mostrando recuperação após a forte baixa vista nos últimos pregões, à medida que os investidores se atentaram a um tom mais negociador emitido pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em relação às negociações comerciais envolvendo Washington.

O índice Dow Jones fechou em alta de 0,41%, aos 24.216,06 pontos; o S&P 500 subiu 0,62%, aos 2.716,31 pontos; e o Nasdaq avançou 0,79%, aos 7.503,68 pontos. Já o índice de volatilidade VIX, considerado o "medidor de medo" de Wall Street, fechou em queda de 5,92%, para 16,85 pontos.

As relações comerciais dos EUA continuaram no foco dos agentes do mercado e da Casa Branca. No início do dia, os mercados oscilaram entre leves ganhos e perdas, esperando por novidades no âmbito comercial. A primeira foi proporcionada pelo assessor de comércio Peter Navarro, que disse que Trump está tentando "nivelar o campo de jogo" nas relações com a China e que deixou claro que é a favor do livre-comércio, embora queira um comércio mais justos para Washington. Os comentários de Navarro foram a prévia do que Trump diria pouco depois.

Em discurso realizado na fábrica da Foxconn, em Wisconsin, Trump lembrou que autoridades da União Europeia o procuraram recentemente para discutir comércio e ressaltou que tem uma boa relação com a China. As palavras do republicano contrastaram com o tom adotado pelo próprio presidente na noite de quarta-feira, durante comício na Dakota do Norte, onde ele ameaçou impor tarifas sobre carros europeus caso barreiras impostas a produtos americanos pela UE não sejam retiradas. "Desde o início da semana, os mercados financeiros ficaram presos no limbo com a incerteza de uma guerra comercial", disse o analista Arnaud Masset, do Swissquote Bank. No período de uma semana, os principais índices acionários americanos apresentam baixa de mais de 1%, com o Nasdaq com recuo de 3,24%.

A escalada do embate comercial que tem Trump no centro das atenções esteve no foco dos investidores nos últimos dias e gerou uma onda vendedora das ações e dos juros dos títulos públicos americanos nos últimos dias. Para o vice-diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Mitsuhiro Furusawa, a escalada das tensões entre grandes potências mundiais configura uma ameaça que pode minar a confiança e tirar o crescimento sincronizado global dos trilhos de forma permanente. Mesmo assim, Trump se mostrou confiante. O presidente disse que, sob sua gestão, o Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA pode crescer entre 4% e 5%. A previsão não foge de projeções de bancos como o Barclays, que prevê o PIB anualizado do segundo trimestre em 4,7%. Já o Goldman Sachs acredita em expansão de 4,1%.

No noticiário setorial, o Facebook informou que tomou medidas significativas para melhorar a transparência relacionada a anúncios e páginas e viu suas ações subirem 0,20%. Já a Amazon fechou em alta de 2,47%, após anunciar sua entrada no mercado de medicamentos sob prescrição após a compra da farmácia online PillPack. Com isso, papéis de farmacêuticas registraram amplas perdas: a Wallgreens Boot Alliance desabou 9,90% e a Rite Aid despencou 11,11%.

Os negócios também foram influenciados pela notícia de que Visa e Mastercard estão perto de firmar um acordo judicial para encerrar uma ação antitruste com comerciantes em relação a taxas pagas por pagamentos em cartão. Sob o acordo, as duas companhias e bancos emissores de cartões, como J.P.Morgan Chase e Bank of America Merrill Lynch, pagariam os autores da ação cerca de US$ 6,5 bilhões. As ações da Visa fecharam em alta de 1,31% e as da Mastercard encerraram com ganho de 2,03%.