Juros bancários em queda reduzida

Febraban usa de falácia ao camparar juros com a Selic

Entra ano e sai ano, o Banco Central baixa a taxa Selic, que é o piso dos juros, e o Conselho Monetário Nacional dá estímulos à expansão do crédito. O saldo dos empréstimos cresceu apenas 0,5% de janeiro a maio (1,3% em 12 meses), segundo o Banco Central, com queda 1,5% nas operações com empresas até maio e retração de 4% em 12 meses. Os créditos do BNDES caíram 12,9%. O aumento veio em cima de empréstimos a juros altos para as pessoas físicas, com expansão no saldo das operações de 2,3% no ano e 6,3% em 12 meses.

Para variar, o cheque especial, cuja taxa passou de 321,0% ao ano para 311,9% ao ano de abril para maio, passou a ter o maior juro para as pessoas físicas, desbancando a taxa média total cobrada no rotativo do cartão de crédito, que caiu 25 pontos porcentuais de abril (328,6%) para  303,6% ao ano em maio. No crédito pessoal, a taxa passou de 46,5% para 44,2% ao ano. A taxa média de juros no crédito livre caiu de 40,9% ao ano em abril para 39,2% ao ano em maio. Em maio de 2017, essa taxa estava em 47,3% ao ano.

O problema é que o nível dos juros para empresas e pessoas físicas só cai na ponta da captação. Nos 12 meses findos em maio a taxa de captação (o quanto os bancos pagam nos títulos vendidos a PJ e PF) teve queda de 0,9 ponto percentual em 12 meses. Nos empréstimos baixaram só 0,2 p.p. em 12 meses. Ou seja, os bancos se apropriaram de 0,7 p.p. da queda custo de captação. Nos empréstimos para empresas (mercado retraído), a queda foi de 0,3 p.p. no ano e de 0,4 p.p. em 12 meses; para pessoas físicas, em 2018 o spread subiu 0,4 p.p. reduzindo a queda em 12 meses a 0,6 p.p.

Outra leitura das estatísticas do BC joga por terra o discurso falacioso da Febraban de que a baixa dos juros bancários desde fins de 2016 foi maior do que que a queda da taxa Selic. A taxa média de juros (empréstimos livres e com juros direcionados, os de repasses do BNDES, FGTS e outras fontes) era de 51,8% ao ano em dezembro de 2016, e a Selic estava em 13,75%. Desde 21 de março de 2018 a Selic ficou em 6,50% ao ano. A taxa média de juros caiu em maio de 2018 para 39,2% ao ano. De abril para maio a taxa média do crédito livre caiu de 40,9% para 39,2% ao ano. Em maio de 2017, a taxa era de 47,3% ao ano.

A Febrabam tem a cara de pau de assegurar que a queda dos juros bancários foi “maior que a da Selic, pois os juros tiveram queda de 12,6 pontos percentuais, enquanto que a taxa Selic teve queda de 6,75 pontos percentuais”. É um escárnio com a inteligência alheia. Qualquer estudante de segundo grau percebe que a conta correta é de quanto por centos foi a queda da Selic (52,72%, a baixar de 13,75% para 6,50%) e quanto foi a queda dos juros (24,32%, ao descer de 51,8% em dezembro de 2016 para 39,2% em maio de 2018). Ou seja, menos da metade da baixa da Selic.

Separando as operações, para as empresas, a queda foi de 28% em dezembro de 2016 para 20,6% ao ano em maio último, ou seja, de 26,42%. Para as pessoas físicas, a queda veio de 72,46% ao ano em dezembro de 2016 para 53,8% em maio de 2018, uma redução de 25,69%, também de menos da metade da baixa da Selic. Os bancos privados estão atraindo as pessoas físicas para operações de juros mais altos (esticando os prazos dos créditos). No consignado, os prazos vão até sete anos.

Dólar sobe 2% e vai a R$ 3,87

O Banco Central tentou segurar ontem o dólar, mas não teve sucesso. Durante o jogo do Brasil, a moeda chegou a renovar várias máximas, para fechar em R$ 3,8737 (+1,99%), maior cotação desde o dia 7 de junho (R$ 3,9146). O real teve o segundo pior desempenho ante o dólar, só perdendo o Rand da África do Sul. Especialistas  atribuem a alta da moeda dos Estados Unidos, ao cenário externo adverso,  à saída de recursos de estrangeiros do país e ação de especuladores nos vencimentos dos swaps.

O BC fez dois leilões de linha (a venda de dólar no mercado à vista com compromisso de recompra), colocando um total de US$ 2,425 bilhões no mercado. Dados do BC sobre o fluxo cambial indicam que entre os dias 18 e 22, foram retirados US$ 766 milhões em valores líquidos. Há forte demanda por dólares para a remessa de lucros semestrais das multinacionais.