Dólar tem leve queda de 0,09% e vai a R$ 3,776 com ação do BC e notícia de Lula

O noticiário político e a ação do Banco Central, que hoje ofertou US$ 3 bilhões em um leilão de linha, que é a venda da moeda norte-americana no mercado à vista com compromisso de recompra, ajudaram a acalmar o câmbio nesta segunda-feira, 25, dia de nervosismo no mercado internacional por conta de renovadas preocupações com o aumento do protecionismo nos Estados Unidos. O dólar subiu ante algumas das principais moedas de emergentes, como a da África do Sul, Turquia e Argentina, mas operou de lado ante o real e terminou o dia em R$ 3,7766 (-0,09%), no segmento à vista.

A segunda-feira começou com a expectativa para o primeiro leilão de linha do BC desde março. Do total ofertado, a instituição colocou apenas US$ 500 milhões. Especialistas em câmbio ressaltam que o BC não revela como foi a demanda pelos recursos, mas o fato de não ter colocado tudo o que pretendia pode ser um indicador de procura reduzida pela moeda norte-americana no mercado à vista. Um dos fatores que corroboram essa visão é que as taxas do cupom cambial (juro em dólar) caíram hoje.

Segundo especialistas, a elevação das taxas do cupom cambial é um indicador da falta de dólar no mercado à vista e foi um dos fatores que levou o BC a ofertar o leilão de linha. Elas começaram a subir em meados da semana passada e podem ser um indício de procura por dólar por empresas para remeter recursos para o exterior com o fechamento do semestre se aproximando, ressalta o diretor de uma corretora de câmbio.

Mesmo vendendo apenas parte do ofertado hoje, a estratégia do BC ao ofertar linha tem também um efeito psicológico importante para o mercado, que é mostrar que a instituição está a postos para atender qualquer falta de liquidez e disposta a usar este instrumento, o que retira um pouco a pressão compradora, ressalta o diretor da Wagner Investimentos, José Faria Junior. O executivo observa que o fato de não ter sido vendido tudo no leilão de linha e a falta de leilão extraordinário de swap hoje são bons sinais, pois mostram que o câmbio está um pouco mais comportado agora, depois do forte nervosismo que marcou o final de maio e o começo de junho.

No cenário político, a notícia da noite de sexta-feira, de que o ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirou da pauta o julgamento do pedido de liberdade do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva causou alívio hoje no mercado.